Contingências do EU JÁ SOU MAIOR


Paula Pedro (2)Foi há relativamente pouco tempo que terei publicado o meu último artigo, contudo alguns (ainda não muitos, infelizmente…) caros leitores, já me inquiriram quando é que publicaria o próximo artigo e até inclusivamente, se eu já estaria a trabalhar nele.

Ora bem…trabalhar num artigo, trabalho sempre que possível, até porque ando sempre munida de material para o efeito, e bem assim, lá vai surgindo um “tempinho ali”, um “tempinho acolá”, intercalados na azáfama da minha Vida pessoal e profissional…esta última e desde há alguns tempos a esta parte, assoberbada pela imposição da Lei das 40 H de trabalho na Função Pública a custo zero, que é como quem diz “à borla”…a meu ver, um autêntico desacato perante os funcionários públicos, por parte do Governo e ainda por cima, com aval do Tribunal Constitucional!…Mas à parte estas redundâncias, que sendo importantes, não dizem respeito ao tema que aqui vos trago , dizia eu, que nestes pequenos e raros momentos que me sobram, é-me possível dedicar-me a este meu hobbie como blogger, aliás, dos meus preferidos, e, “deliciar-me” a tão somente partilhar ideias, Conhecimento, enfim…comunicar convosco.

Desta feita, considerei pertinente abordar a questão da MAIORIDADE, não por estar directamente relacionada com a idade em que se está legalmente no gozo dos direitos civis, mas sim por outros aspectos, na minha opinião relevantes e que têm a ver com as “transformações” que podem ocorrer (salvo as excepções) no jovem-adulto a nível do seu autoconceito, da sua autoestima, da sua autoconfiança, na sua nova forma de ESTAR/SER no mundo, e também toda a envolvência no contexto familiar decorrente da aquisição desse novo “status quo” na sociedade.

Todos nós adultos já por lá passámos, e cada um por si saberá melhor do que ninguém quais foram os aspectos mais significativos que marcaram essa dita fase -adolescência/juventude/adulto-, sendo certo  que maioridade maturidade são conceitos que podem não estar em sintonia numa determinada fase da vida.E também é certo (penso eu), que “somos” o resultado da educação e dos valores que os nossos pais nos transmitiram, e também ainda, da própria interacção contínua com o meio que nos envolve…pelo que, estamos em constante “crescimento”.

No que me diz respeito, recordo-me perfeitamente que essa fase não foi de todo fácil…

Lembro-me que a dada altura, determinadas questões que até aí não eram assim tão significativas para mim, como que passaram a ter um peso “brutal”; Por exemplo, a questão da imagem corporal, a socialização com os amigos ao fim de semana em horário nocturno, a questão dos relacionamentos afectivos, as questões da sexualidade, etc…; Então a questão das “saídas” à noite eram um verdadeiro problema!… A “coisa” tinha que ser previamente muito bem preparada, muito bem fundamentada, pois a minha querida mãezinha, que eu tanto amo, parece que ainda a estou a ver, com a sua figura robusta, bem anafada, trajada de avental e colher de pau na mão içada, a dizer-me:

– Olha Paula, podes ir!…Mas ai de ti que não estejas de regresso às X horas. Aí, na certa, teremos o caldo entornado! Um dia quando fores mãe compreenderás!…E, além do mais, eu e o teu pai não estamos para não pregar olho, por tua causa!

E, ai de mim que não cumprisse!…”Qual infortúnio consequente de se ser a única rapariga entre vários irmãos”, pensava.

– Quando for mãe, não serei assim tão intransigente com os meus filhos – Referia-lhe, com uma certa angústia.

Pois é!…Hoje que sou mãe e com filhos cujas idades se incluem nessa fase, compreendo agora o porquê da sua postura, o seu SENTIR, os seus medos e receios na altura.

Até posso ter uma postura menos intransigente com os meus filhos, mais virada para o diálogo e para a “negociação”, talvez fruto das características da minha própria personalidade, das aprendizagens que fui fazendo no âmbito da minha formação…mas sinceramente, nem os brilhantes livros (sobre estas temáticas) que “devorei” do nosso Eduardo Sá, prestigiado psicólogo, psicanalista e professor da nossa praça pública, que tanto admiro, me valeram…na realidade e tal como ele próprio o refere, “a Vida não se aprende nos livros”!

Assim sendo caro leitor, a minha experiência de Vida dita-me que cada caso é um caso único, e por conseguinte, os filhos no seu processo de “crescimento” e de construção do seu autoconceito, vão fazendo a gestão das suas próprias “escolhas”, na vertente do seu conceito de SER-SE FELIZ.

Poderia então o leitor questionar:

– Podemos, devemos ou temos o direito de intervir nesse processo selectivo das “escolhas” dos nossos filhos?

Bem…Considero que sou um pouco suspeita para dar resposta a esta questão, até porque sou daquele tipo de “mães-galinha”, que não consegue “pregar olho” na cama, enquanto não ouvir o barulho deles a introduzirem a chave na fechadura da porta de casa; Depois disso, como que “entro em coma profundo” instantaneamente.

Mas…penso que devemos estar atentos, sugestionando, acautelando, dialogando, enfim…mas para tal, como é sabido, é necessária a manutenção de um bom relacionamento desde sempre, entre pais-filhos! Não concorda?

Afinal, como dizer NÃO quando eles nos surgem pela frente, com um sorriso estonteante, feliz mesmo!…; Muito bem aprumados, qual “príncipe” ou “princesa” absolutamente deslumbrante, a validarem connosco:

– Olha mãe, vou reunir com uns colegas da Faculdade para fazermos um trabalho de grupo, depois vou jantar com Y (o “objecto” do relacionamento afectivo), e somos capazes de passar por Z (um bar com música ao vivo)…de maneira que estarei de regresso lá para as X horas. Parece-te bem?

Perante isto caro leitor, apenas me ocorre dizer o seguinte:

Se os meus filhos ESTÃO FELIZES, então eu também ESTOU FELIZ!!!

 

Paula Pedro

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4 comentários a “Contingências do EU JÁ SOU MAIOR

    • Muito obrigada querido poeta e amigo Jorge Luiz Vargas!
      Vindo de si, fico muito, mas mesmo muito feliz por apreciar este meu artigo!
      Até parece que Brasília é aqui mesmo ao lado de Coimbra… 🙂
      Um BEM-HAJA muito grande e, desculpe o atrevimento, mas tenho que lhe enviar:

      Beijinhos, uma rosa e um cravo! 🙂

      Paula Pedro

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  1. Querida Paula,

    Adorei o seu artigo! Pode continuar, terei o maior prazer e orgulho em segui-la!
    E a propósito dos filhos…é tão fácil eles desarmarem-nos, não é?! Parece-se que já nascem com essa capacidade que, com o desenrolar da história de vida, vão aprimorando! Sinal de inteligência! Ainda bem! E como diria um grande amigo meu “sejam felizes, pois é uma boa forma de serem inteligentes!”

    Um beijo,

    Aida Borges

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  2. Pois é Aida!…Com efeito, e falo por mim, os filhos são a nossa maior alegria, a nossa fonte de felicidade, a nossa prioridade na Vida…
    É indubitavelmente, um amor incondicional, intemporal…independentemente deles terem que dar rumo às suas “escolhas” e “viverem” a sua própria vida.
    Amamos os nossos filhos, e pronto!

    Beijinhos,

    Paula Pedro

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