Implicações do TU NÃO ÉS BEM-VINDO AQUI


Paula Pedro (2)Caros leitores, esta semana optei pela abordagem de um tema completamente diferente dos anteriores, aliás, este é um dos objectivos do meu blog: a diversificação de temas que considero pertinentes e susceptíveis de induzir o leitor à análise, à reflexão, à crítica…enfim, induzir-vos a “levantarem poeira”…

O título do artigo é um pouco vago, pois na realidade poderia reportar-se a um sem número de situações…mas neste registo em particular, pretendo inseri-lo num conceito que até é de certa forma recente, todavia, algo polémico:

Bullying ou Mobbing; Mais concretamente – Assédio Moral no Trabalho.

Sendo certo que mobbing sarcasmo existiram desde sempre em qualquer tipo de trabalho, principalmente nas empresas, mas ao que parece, só a partir de 2002 é que estes temas começaram a ganhar mais peso com os estudos da psiquiatra francesa Marie-France Hirigoyen, uma das primeiras a se preocupar com o assédio moral no trabalho, e também ao que parece, ainda está longe de ser reconhecido como problema pelas empresas, se bem que, felizmente, as denúncias começaram a emergir explosivamente, certamente fruto do avanço das tecnologias de informação e outras, nomeadamente as redes sociais, chegando finalmente à barra dos Tribunais, que ao fim e ao cabo, era o que se pretendia…imputando aos “agressores” a coima de significativas indemnizações à “vítima”, por infracções previstas no Código Penal, como injúria, difamação, danos morais e psicológicos – a meu ver, ainda assim, um pena muito “soft”…

Mas…à parte a fundamentação do tema, vamos lá então à história que lhe dá consistência (espero eu!):

Numa das minhas viagens à capital, contrariamente ao que era previsível, pois tinha um programa cirúrgico bem apetrechado no sector privado, o qual terá sido parcialmente inviabilizado por motivos de algumas desistências “à última da hora”, o que hoje em dia, confesso ser uma situação perfeitamente banal, dada a conjuntura de crise política-económica-social que quiçá (?) o Governo imputou inexoravelmente ao povo português…pois infelizmente, alguns cidadãos não têm, ou então passaram a não ter possibilidade de usufruírem rendimentos que lhes garantam a sua subsistência, quanto mais terem condições para lhes ser aprovado um Seguro de Saúde, que lhes permita a cobertura de determinados tratamentos e/ou actos cirúrgicos!…Enfim, e lá estou eu a desviar-me do tema fulcral do presente artigo…

Então dizia eu que, contrariamente ao que era previsível, fiquei despachada relativamente cedo dos meus afazeres cirúrgicos, pelo que, resolvi contactar uma amiga de longa data que já não revia há uns bons tempos, que não pelo facebook, o que obviamente inviabiliza qualquer tipo de conversa mais profunda, mais completa… no sentido de irmos tomar um café e pormos “a conversa em dia”, como deve de ser!

Combinámos encontrar-nos na nova esplanada do nosso maravilhoso Parque Eduardo VII, por sinal, Sétimo o seu nome, a qual proporciona uma vista magnífica, em que um olho espreita o verde do parque, e o outro, a linha dos edifícios ao longo da Avenida Fontes Pereira de Melo.

Inicialmente a conversa pareceu-me muito agradável, pois abordámos momentos felizes da vida de cada uma, rimos muito, demos algumas gargalhadas bem sonoras (especialmente eu), contudo, pressenti pelo seu olhar, pela sua postura e uns certos “tiques” que algo não estaria bem de todo…

Foi então que a focalizei nos olhos, procurei-lhe as mãos nas minhas e, assumindo um fácies bem sério, questionei-a:

– O que é que se está a passar contigo?…Posso ajudar-te de alguma forma?

Bingo!…”Caímos” num tema que a perturbou profundamente, a ponto de alterar o seu semblante para um fácies de tristeza, mágoa e ressentimento, chegando a confessar-me inclusivamente que tinha distúrbios do sono, problemas digestivos, falta de apetite, irritabilidade e choro fáceis, crises de ansiedade e até…”vontade de desaparecer!”

Finalmente, lá decidiu desabafar o porquê, e disse então:

– Adoro a minha profissão; Adoro trabalhar naquela empresa; Penso que sou uma boa profissional…pois acredita, dou o melhor de mim no meu desempenho, o que me proporcionaria uma grande satisfação e realização profissionais, mas…infelizmente, sou ridicularizada, “segregada”, ainda que de forma sarcástica e subtil, por parte de alguns colegas, que como meus pares, não são nem mais nem menos do que eu, mas ainda assim, como que conseguiram estruturar ali uma “quintinha” praticamente intocável, que volta e meia, com atitudes graxistas, fazem “queixinhas” infundadas e ridículas às chefias, com o intuito de me “queimarem”, denegrirem a minha imagem e o meu prestígio profissional…e o pior de tudo é que não me é possível demitir-me…pertenço aos quadros da empresa, o que me confere uma certa estabilidade financeira…e além do mais, nos dias que correm, onde é que eu iria arranjar um emprego assim?

Caro leitor, eu nem queria acreditar no que acabava de ouvir!!!

Mas que grande calhandrice! Que injustiça atroz! Um autêntico atentado à Dignidade da Vida Humana! Um desrespeito do mais baixo nível pelo Outro, quais requintes de malvadez!…Não concorda?

Ora bem…é sabido que as problemáticas inerentes às questões da Liderança e mais concretamente, à Gestão de Conflitos no seio das equipas multidisciplinares, na medida do possível, tentam-se resolver dentro das “quatro paredes” da empresa, contudo vamos lá a ver: há situações…e, situações!…Pelo que, algumas, contextualizadas em graves danos morais, psicológicos e outros, à “vítima” de assédio moral no trabalho, merecem, melhor dizendo, defendo que deveriam ser alvo de parecer jurídico!

Se acontecesse comigo, receio que não estaria com “meias medidas”!…

Muito provavelmente, e dada a gravidade da situação, recorreria ao Tribunal dos Julgados de Paz da minha área de residência para interpor uma Acção Judicial! – A forma mais económica, para o “queixoso” resolver questões de natureza cível, com a particularidade de, provados os factos, a sentença  determinar indemnização até um determinado valor, por processo…entre outras penas. E porquê?…Tão somente, por uma questão de JUSTIÇA!!!

Mas atenção caro leitor!…E, reforço o que disse com uma ressalva:

Esta, possivelmente seria a forma que eu recorreria para resolver este problema. Ah pois é!… Enfim, porque as características da minha própria personalidade assim o permitem, ou seja, sou uma pessoa frontal, directa, objectiva, audaz, corajosa…sim!…A meu ver demasiado destemida,  (o que nem sempre é bom, pela minha experiência), emocionalmente forte e inatamente detentora de um tal “sangue-frio” perante situações de “crise”!…A grosso modo, “enfrentaria o touro pelos ditos!”

Já agora! Permita-me a ousadia de uma questão:

– Se algo do género acontecesse consigo, como reagiria?

Quanto à minha amiga, ainda ficámos ali umas boas duas horas a esmiuçar o assunto; Eu, sempre numa atitude de respeito, compreensão e solidariedade, induzindo-a a que ela própria encontrasse a(s) solução(ões) possível(eis), adequada(s) à sua personalidade…para a resolução do seu problema, tendo em vista o resultado:

FICAR/SENTIR-SE BEM consigo mesma!

Lamentavelmente, por questões éticas, dado que esta foi uma situação real, não posso revelar-vos o que ela decidiu, nem tampouco como conseguiu contornar definitivamente o problema, contudo, posso revelar-vos que HOJE, ela está BEM, óptima mesmo!…E, o mais importante:

FELIZ, no seu local de trabalho! O complemento que estava em falta ao seu… “SER FELIZ”!!!

 

Paula Pedro

 

 

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4 comentários a “Implicações do TU NÃO ÉS BEM-VINDO AQUI

    • Muito obrigada pelo teu comentário prima!

      Concordo contigo! Uma boa conversa com alguém bem esclarecido na matéria e ainda, um bom apoio psicológico e emocional, poderão como que, induzir à via de resolução mais fácil para este tipo de problemas.

      Beijinhos

      Paula Pedro

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  1. Olá Paula
    Não é nova a questão do assédio ou mobbing.
    Acho muito importante que as Mulheres se escutem umas às outras, e que se interajudem também.
    Beijinhos
    Ilda Neves

    Liked by 1 person

    • Olá Ilda!
      Muito obrigada pelo comentário. A questão da inter-ajuda entre os pares pode, com efeito, ter um peso preponderante na forma da vítima lidar com o problema do mobbing; a questão também passa pelo próprio assumir que tem esse problema, ou seja, não o recalcar, e mais (!), reconhecer que necessita de ajuda.

      Beijinhos. 🙂

      Gostar

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