A Questão do…ATÉ SEMPRE PORTUGAL!


Paula PedroCaros leitores, esta semana, a propósito de algo que me deixa um pouco nostálgica, principalmente quando penso nisso, optei por trazer-vos o tema da emigração; mais concretamente, a emigração das camadas mais jovens, a designada “Geração à Rasca”. 

E porquê? – poderão vocês questionar?

Calma!…Já irão saber o motivo!…Em primeiro lugar, porque faço questão de partilhar convosco este mau pronúncio de um afastamento não desejado de todo; aliás, tomara que nunca viesse a concretizar-se, e, em segundo lugar, porque estou em crer que tal como eu, existirão certamente muitos outros que estarão a vivenciar este desalento, ou pior ainda…já estarão mesmo em circunstâncias de afastamento “forçado” dos seus mui queridos familiares, e bem assim, do seu Portugal.

Ora bem! É sabido que “Geração à Rasca” é a designação dada, a “um conjunto de manifestações ocorridas em Portugal e noutros países, no dia 12 de Março de 2011, as maiores manifestações não vinculadas a partidos políticos, desde a Revolução dos Cravos“.

O seu ponto de partida: um evento no facebook e um blogue criados por um grupo de amigos que incitava para o movimento de protesto, autointitulado: “apartidário, laico e pacífico”, e que reivindicava “melhorias nas condições de trabalho, com o fim da precariedade”. E, passo a citar:

” O manifesto incitava à participação numa manifestação dos desempregados quinhentoseuristas e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, mães, pais e filhos de Portugal”.

A iniciativa ter-se-á inspirado na canção dos Deolinda de 2011, “Parva que sou”, que aborda a precariedade laboral que afecta milhares de portugueses, particularmente licenciados.

O impacto do manifesto terá sido significativo, reunindo mais de 500 mil pessoas nas ruas de todo o país e no estrangeiro, pelo que, foi criado no pós-manifestação o M12M – Movimento 12 de Março (2011), constituído fundamentalmente por jovens activistas nos vários domínios da política, activismo e cidadania. A sua cláusula primordial:

“Fazer de cada cidadão um político”.

Seguiu-se o movimento “Que se lixe a Troika”, e por aí adiante…

Pois muito bem, caros leitores:

Graças à liberdade de imprensa bem que os nossos jovens têm vindo a manifestar-se nas redes sociais e em blogues, apelando a uma Democracia Saudável nos seus artigos e comentários, criticando, contestando e até sugestionando alternativas para o crescimento da nossa economia, mas quando existe um “alguém” que os incita a emigrarem argumentando que “são necessários cortes” (cada vez mais, adicionais!), “medidas de austeridade” (em crescendo!) – as designadas “Políticas de emagrecimento!”…; melhor dizendo, “Políticas do custe o que custar!”

Sim! Porque enfim, “há que colmatar o déficit orçamental e honrar os compromissos com a Troika!”, e ao que parece, sendo esta última, mais “uma questão moral” do que política, para o “personagem”…quiçá (?) “coisa” até possa vir a ser colmatada mediante “trabalho à borla”, por parte dos trabalhadores? Hum?…Então aí sim! Certamente seria “ouro sobre azul!”

Olhem que eu estou a satirizar!…

Todavia, a minha mais veemente suposição no que concerne a esta matéria:

Nós, o povo português, somos completamente “instrumentalizados” por quem detém o PODER POLÍTICO, quais “presas” sarcástica e ignorantemente combalidas a um deplorável ESTADO DA NAÇÃO!

Mas dizia eu então, que alternativa têm os nossos jovens perante este “vislumbre negro”, senão emigrarem?

E chegámos à fase de eu vos revelar o porquê de toda esta demagogia(?)…deste meu “desabafo desesperado”(?), que de certa forma, como que deixa transparecer alguma revolta e indignação:

Há cerca de 2 anos a esta parte, a minha filha mais velha tem vindo a transmitir-me, ainda que de forma subtil, que tenciona emigrar para um determinado país logo após o terminus do seu curso, argumentando que aqui em Portugal, dada a conjuntura de crise sócio-política e económica que o país atravessa e cujo fim não se vislumbra, não será possível “construir” a Vida que idealizou no seu conceito de SER FELIZ.

Sempre passei que acabasse por desistir de tal ideia, mas a realidade é que não. Muito pelo contrário; cada vez está mais consistente!

Há dias, reuniu com uns colegas da Universidade lá em casa para fazerem um trabalho de grupo. E quando assim é, como ainda são alguns, normalmente ocupam a sala de estar, que é aquela que detém melhores condições para o efeito, por ser ampla, com boa luminosidade e conter uma enorme mesa.

Entretanto, tive necessidade de ir ao escritório, que por sinal é contíguo à sala de estar para procurar uns artigos, pelo que, claro está, tive que interrompê-los. De forma alguma pretendia demorar-me ali, mais por uma questão de se sentirem, digamos que, “à vontade”!…

A verdade é que o pouco tempo que lá permaneci, ouvi algo que eles estavam a conversar e que me deixou um pouco perturbada, do género:

– “O quê? Ficar neste país de (piiii)! É que nem pensar! Não há trabalho, ou se há, é precário e muito mal pago! Não há poder de compra!”

– “Também concordo contigo; ficar subsidio-dependente dos meus pais ad aeternum, está completamente fora de questão! Nem eles podem, coitados!”

– “Olhem, eu por mim, nem sei ainda muito bem como é que vou conseguir acabar o curso!…Os meus pais estão cheios de dívidas por causa do restaurante que acabou por falir…não resistiu à carga fiscal!”

– “Olha, fazes como eu! Os meus pais ficaram ambos desempregados, pelo que, trabalho uma horitas como caixa num supermercado…e é se quero acabar o curso, para depois dar à sola daqui para fora!”

– “Eu, por causa desta cena dos cortes nas prestações sociais, perdi a bolsa!…Mas também não conto ficar por cá! E mais!…não conto vir a investir um cêntimo sequer neste país!…Lixaram-me de todo, esses jotas, corruptos que passam a vida na calhandrice do quem é que começou a (piiii) desta crise!”

– “Pois eu também irei embora e não tenciono voltar…só nas férias e épocas festivas!…Até já comecei a preparar a minha mãe!”

Certamente já adivinharam quem pronunciou este último comentário; sim!…Foi a minha “princesa”!

Nesse momento, o meu coração como que “disparou”, e antes que a situação piorasse, saí dali da forma mais subtil que pude; porém, “algo” em mim me denunciou ( o que vim a saber mais tarde)…talvez o meu fácies  de constrangimento, quando os informei, da porta e olhando de soslaio,  que tinha que sair para ir resolver uns “assuntos”.

Mas quais assuntos, qual quê?…O que eu queria mesmo, era sair dali para fora…estar sozinha!

Quando entrei no automóvel, coloquei as mãos no volante e fiquei ali mesmo, completamente estática, a imaginar o cenário:

– Como iria reagir, quando no aeroporto déssemos o último abraço?

– Ou mesmo, como iria reagir, quando já prestes a partir, me acenasse o seu último “até breve, espero!”

E já agora, como reagiriam se acontecesse com vocês, meus caros?

Pois é!…Não vale a pena fazer conjecturas…sofrer por antecipação! (?)

Dependerá certamente de uma boa preparação psicológica e emocional sobre o assunto. Até lá, restam ainda 3 anos para eu desfrutar ao máximo, a benesse de ainda ter a minha “menina” bem pertinho de mim.

Não!…Não pensem que quero que ela não vá! Isso seria um vil egoísmo da minha parte!

Ela fez a sua “escolha”; a “escolha” que ela acredita que a fará mais feliz, e por conseguinte, tudo o que eu mais quero neste mundo é que as minhas filhas sejam VERDADEIRAMENTE FELIZES!

Porque, enfim…só assim, também serei FELIZ!!!

 

© Paula Pedro

 

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2 comentários a “A Questão do…ATÉ SEMPRE PORTUGAL!

  1. Paula Pedro:
    apesar de não ter o prazer de a conhecer pessoalmente, permita-me dizer que parece que já nos conhecemos há muitos anos. Revejo-me inteiramente nos seus comentários e felicito-a pelo texto, não só pelo tema mas também pela qualidade e ausência de erros, ortográficos e outros. Felizmente ainda há quem respeite a língua portuguesa.
    Quanto á “matéria de facto”, também eu e a minha esposa temos vivido o drama de estarmos constantemente a despedir-nos da nossa filha mais velha, profissional, licenciada, desde 2008, em Espanha. Mais recentemente, a nossa filha mais nova não teve outra alternativa senão emigrar como a irmã, mas para muito mais longe. Com o coração completamente estilhaçado, lá fomos mais uma vez ao aeroporto, vê-la a esconder as lágrimas enquanto se afastava de nós e dos amigos, carregando na bagagem o peso da incerteza, apesar de mais um diploma de licenciatura que não custou um cêntimo ao país que a vai acolher, espero que com a dignidade e respeito que desejamos.
    A questão que se coloca é a de que às minhas filhas, como a milhares e milhares de jovens licenciados deste país, não foram oferecidas alternativas, hipóteses de escolha, que lhes permitissem dizer “Eu vou emigrar porque prefiro essa solução”.
    Vir para estes fóruns e redes socias dizer que não há drama, que temos que abrir horizontes, que já não estamos em tempo de ter medo de sair deste cantinho, bla, bla, bla, é conversa de quem confunde as coisas. Criar e educar um filho não é o mesmo que criar um produto para exportação. Ter a mente aberta para aceitar a internacionalização do conhecimento não é o mesmo que ver os nossos recursos humanos a serem completamente desprezados pelos “nossos” governantes, a maior parte deles incompetentes e indiferentes aos problemas daqueles que não se sujeitam à “Lei da Cunha”.
    Faço apenas uma pergunta: o que vai ser deste país daqui a vinte ou trinta anos se continuar a verificar-se este esbanjamento de cérebros que partem diariamente?
    Não nos venham (mais uma vez….) atirar areia para os olhos com “programas” (leia-se palhaçadas) com o “VEM”…
    Não brinquem connosco.
    Cumprimentos,
    A. Ferrer

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    • Muito obrigada pelo seu comentário A. Ferrer; inequivocamente, um brilhante testemunho no que concerne a esta temática que atrevo-me a classificar como: “emigração compulsiva” dos nossos filhos/jovens (licenciados, mestrados, doutorados), que não têm outra alternativa, perante este cenário negro de instabilidade política, económica e sociale que não confere o mínimo de condições e credibilidade para se dar início a um projecto de vida condigno.
      Os que os acolhem, “esfregam as mãos” de satisfação…pois não!…Mão-de-obra e “cérebros”, a CUSTO ZERO!
      E nós pais, ainda que amargurados por os vermos partir, apenas queremos que sejam felizes…que edifiquem o seu “cantinho” com SEGURANÇA e QUALIDADE DE VIDA! E repare(!), não será um simples “VEM!” ou “VOLTA!” da parte de quem os incitou a partir, ou outra calhandrice política-partidária sonante, que os irá demover dos seus sonhos.
      Prevalece então a questão: o que será deste país daqui a 20-30 anos?
      Ocorre-me responder-lhe algo, em nada abonatório à DIGNIDADE DA VIDA HUMANA:
      – Quiçá seremos um país destroçado, ainda mais endividado e por conseguinte, mais pobre do que nunca… com um ESTADO SOCIAL já completamente DESTRUÍDO (pois, ao que se vê, para lá caminhamos!)…um país de IDOSOS que subsistirá, sabe-se lá como?!…

      Beijinhos

      Paula Pedro

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