Pragmáticas sobre SEXO, SEXUALIDADE e…algo mais!!!


Paula Pedro

© PP

 

Sendo este um blog que visa a abordagem de temas que considero pertinentes, de uma forma realista, sem rodeios, sem subterfúgios…esta semana, optei por trazer-vos um tema sobre SEXO. Sim!…Sobre SEXO!

Para aqueles que me conhecem pessoalmente, muito provavelmente, só de lerem o título do presente artigo, ficarão a pensar:

– “A Paulinha (ou PP, que são as formas como habitualmente me tratam), pura e simplesmente…endoideceu!”

Ora bem! Não “endoideci” coisíssima nenhuma!!!

O tema poderá ser pertinente (ou não?), na proporção da relevância/significado que SEXO, representa na Vida de cada um!…Sendo que, e regra geral (salvo as excepções, obviamente), SEXO, como que assume um “peso” significativo na Vida, e certamente integra o nosso conceito de “SER-SE FELIZ!”…seja lá qual for a forma como cada qual opte por VIVÊ-LO!

E a fundamentar esta importância acrescida ao SEXO, repare-se, a título de exemplo, no estudo relacionado às Necessidade Humanas Básicas (NHB), de Abraham Maslow, psicólogo de renome, aliás,um dos principais fundadores da PSICOLOGIA TRANSPESSOAL, que defende:

– “O Homem é motivado segundo as suas necessidades que se manifestam em graus de importância, onde as fisiológicas, são as necessidades iniciais, e as de realização pessoal, são as necessidades finais. Cada necessidade humana influencia na motivação e na realização do indivíduo, que o fazem progredir para outras necessidades, que marcam uma pirâmide hierárquica”.

E, nesta dita pirâmide, o autor classifica SEXO, como uma necessidade fisiológica básica, ao mesmo nível que umas quantas outras, como a respiração, alimentação, hidratação, eliminação, sono e repouso homeostase (equilíbrio dinâmico).

Mas, à parte a fundamentação do tema, vamos lá então esmiuçar “o dito”, ainda que numa determinada vertente:

Vejamos!…Não existe uniformização nos pressupostos que dizem respeito à questão de quando é que o SEXO começa a ser importante na Vida das pessoas, todavia, os estudos indicam que factores genéticos, hormonais, socioculturais, ambientais, etc., poderão influenciar nesse surgimento, e mais!…indicam que será na altura da puberdade, que esse interesse estará exacerbado, dado acompanhar as transformações físicas, psicológicas e emocionais do SER em crescimento, independentemente da sua orientação sexual estar, ou não (?), definida, de todo.

Poderiam então vocês interpor:

– “Mas isso já nós sabemos, Paula! O que é que tem, assim…de relevante mesmo,  para dizer acerca do tema?”

Bem, comecemos então por: SEXO SEM COMPROMISSO!

Como a própria designação o sugere, há existência de relações sexuais entre os pares, porém, não contextualizada num compromisso relacional. É o designado SEXO pontual, ocasional, circunstancial, ou o que lhe quisermos chamar!…

Os adeptos desta “modalidade”, à priori, repartem uma atracção física mútua, ou outra, e geralmente não partilham nem nutrem afectos entre si, digamos que…consistentes, que justifiquem a continuidade do dito envolvimento sexual; ou eventualmente, até podem nutrir, mas nesse caso, existirão certamente condicionantes, de uma ou de ambas as partes que inviabilizam de todo a continuidade da “coisa”, sob risco de virem a criar um qualquer tipo de “dependência emocional”…ou até inclusivamente, virem a apaixonar-se, o que poderá não ser conveniente a nenhuma das partes. Por outras palavras:

“Foi ou é, só para aquilo!…e só para aquilo mesmo!”

Bom! Na minha perspectiva, parece algo complicado de gerir!…Porquê? Lá está!…Tão somente porque, as pessoas podem ser apanhadas desprevenidas, apaixonando-se, o que não é de todo controlável, nem tampouco com o extraordinário poder da mente, e bem assim, a “coisa” poderá ficar, quiçá(?), algo complicada de “descomplicar”…

Mas atenção!…Cada pessoa é um SER ÚNICO, por conseguinte, se o próprio o consente, porque afinal “SER-SE EMOCIONALMENTE LIVRE” enquadra-se no seu conceito de “SER-SE FELIZ”, ninguém, mas é que ninguém mesmo, tem absolutamente nada a ver com isso!

Passemos agora à: AMIZADE COLORIDA!

A designada friends with benefits, cuja tradução literal é: “amigos com benefícios”.

Ora bem! Neste tipo de relacionamento, que não significa que sejam amigos, contudo poderão sê-lo, há interacção sexual, ainda que desprovida de compromisso. Possui as mesmas características de um “namoro oficial”, com beijos, carícias íntimas, etc., mas não há as mesmas obrigações, como fidelidade, por exemplo.

Poderá surgir a qualquer momento, seja com um amigo que passa a ser visto de forma diferente, seja com uma pessoa que se conheceu num qualquer evento social, e com qual se gostaria de voltar a encontrar esporadicamente.

Ou seja, “o cabo dos trabalhos!” – a meu ver!

– Meu Deus! Que complicação!!!

Das duas, uma: ou os intervenientes acabam por se apaixonar e decidem levar a relação para algo mais sério (ou não?)! Ou então decidem terminar, porque entretanto, inevitavelmente, despoletam sentimentos negativistas como ciúme, desconfiança, insatisfação, diminuição da auto-estima e até mesmo depressão (ou não?)!

Lá está!…Poderão existir factores condicionantes que induzam os pares a optarem por este tipo de relacionamento, independentemente de todas as consequências, previsíveis ou não. Mas, caramba!…Se eles SÃO FELIZES ASSIM!(?), há que respeitar!

E finalmente, chegámos ao SEXO COM COMPROMISSO!

Ora evidentemente, esta “modalidade” dispensa qualquer definição…é certamente a eleita pela maioria dos pares, por isso mesmo: existe um compromisso!

A existência desse dito compromisso incita os envolvidos a investirem cada vez mais e melhor no relacionamento, levando-os a uma “entrega” em crescendo a nível emocional, psicológico e obviamente, sexual, que vai sendo aprimorada com o decorrer do tempo, até chegarem àquele patamar do “conhecem-se bem sexualmente, e não só…e dão-se lindamente! E o mais importante…AMAM-SE!”

Todavia, infelizmente poderão acontecer “percalços” no percurso do relacionamento, que por sinal, alguns deles, já vos terei abordado no meu artigo “Quando afinal…NÃO É PARA SEMPRE!…”, e que poderão, ou não, conduzir ao seu términos.

Mas também poderão não acontecer! Não é?…E mesmo não acontecendo, é perfeitamente natural que a “performance” sexual que era no início do relacionamento vá, digamos que, mudando de contornos com o decorrer dos anos, por exemplo, no que diz respeito à frequência, intensidade, etc., pelos mais variados motivos, geralmente cansaço físico e psicológico, stress, entre outros… argumentos que justificam o tal esporádico NÃO:

– “Ah, X (o nome próprio, amor, doce, querido(a), fofo(a), ou o que lhe quisermos chamar)! Hoje não dá mesmo, porque…”

Enfim, o que interessa é que essa tal mudança seja aceite numa base de compreensão e de respeito mútuos. Pois vamos lá a ver, caros leitores:

Afinal de contas, “FAZEM AMOR O QUANTO BASTE, e são felizes assim!”…E isso, é muito importante!!!

Boas leituras e… SEJAM FELIZES!!!

 

Simply Red – If You Don’t Know Me By Now

 

© Paula Pedro

 

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8 comentários a “Pragmáticas sobre SEXO, SEXUALIDADE e…algo mais!!!

  1. Uma excelente exposição sobre uma temática que sempre deu muito que falar e dará sempre, até devido a novas tendências e a uma cada vez mais banalização do tema.
    Gostei. Beijinhos.

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    • Muito obrigada Mário Rui!

      Realmente a temática no que concerne a este artigo, é como diz: “sempre deu muito que falar e sempre dará”, e daí, a multiplicidade de abordagens relativas à mesma…

      Todavia, infelizmente, parece que há uma tendência, em crescendo, para a sua banalização, principalmente na imprensa “cor de rosa”, nalguns blogues, nalguns programas televisivos, enfim…nos mídia.

      Valha-nos Deus!…e, a boa literatura! Bons livros de prestigiados psicólogos e sexólogos!…
      Não é assim?

      Beijinhos

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    • Olá David Cabanas!

      Respeito inteiramente a sua Visão! 🙂
      E mais!…Num relacionamento afectivo onde exista amor…sexo, melhor dizendo, a sexualidade nos pares, muda completamente de contornos…tem outra envolvência, outro tipo de “entrega”, indubitavelmente mais gratificante para os envolvidos, exactamente por isto mesmo: AMAM-SE!…e pronto!
      Sugeria-lhe, caso aceite obviamente, a leitura de “Vinte anos depois” de Júlio Machado Vaz, prestigiado sexólogo da nossa praça pública, como deve saber. 🙂
      Muito prazer!
      Beijinhos
      Paula Pedro

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  2. Paula, banalizar a sexualidade até é bom e saudável nos tempos atuais. No meu tempo de estudante só abordavamos o tema (sistema reprodutor) no 2° ano, agora 6°, e na altura com desenhos….pois claro era um fartote de rir….agora banalizar o sexo, isso já é outra coisa e tal como falaste algumas revistas e programas de televisão só servem para isso, e a partir de determinada altura vai começar a imperar cada vez mais o sexo sem compromisso tal a banalidade que ele começa a ter na vida das pessoas….

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    • Olá Mário Rui!

      Afinal, parece que este tema tão polémico e controverso, despoletou a atenção dos leitores, e ainda bem! Pois é exactamente isso que se pretende neste blog, ou seja: “levantar poeira”.

      Ora bem!…Como o refere Júlio Machado Vaz (psiquiatra e sexólogo – mas isso, já tu sabes!), no seu livro: “Olhos nos Olhos: Histórias de Sexo e Vida”:
      “Poderá parecer estranho que muitas vozes sejam de mulher. Afinal, dentro e fora da Igreja, o discurso obcessivo sobre o sexo da Tradição Ocidental, foi com raríssimas excepções monopólio dos homens”.

      Para o psiquiatra, “é evidente que em termos de banalização do [sexo] temos vindo sempre a crescer”…o que está em consonância com o que argumentaste. 🙂

      SEXO SEM COMPROMISSO, sem coacção, poderá ter uma multiplicidade de abordagens: a nível social, poderá ser um modo de Vida – prostituição; um jogo – como se vê nos mídia, praticável em determinadas discotecas e bares de alterne (alvo de sanções e estigmatização dos envolvidos? – parece, e esperemos que sim, valha-nos Deus!).

      Todavia, a nível individual, poderá ser uma opção do próprio, ou seja, o dito abomina a ideia de compromisso; “SER-SE EMOCIONALMENTE LIVRE” é o seu “lema de Vida”! Há que respeitar?…claro que sim!
      Agora, uma coisa é certa, o adepto da “coisa”, não pense que vai conseguir viver “ad aeternum” neste “desamor”, porque como SER HUMANO que é, não é desprovido de emoções nem tampouco de sentimentos (nem os animais são, quanto mais!) e por conseguinte, “mais dia menos dia”, certamente será, digamos que “apanhado(a)” desprevenido(a), e, ainda que involuntariamente, apaixonar-se-á!…E, PAIXÃO, ou qualquer outro tipo de afectos, a MENTE “não tem voz na matéria”!
      E depois? Como pensa resolver a questão?…Optará por entrar em negação e reprimir?
      Mas que sofrimento! – Deus me livre! – a meu ver.

      Mas enfim…caso os pares queiram apenas ter uma relação sexual sem nenhum compromisso, conscientes ou não das consequências dessa escolha, não podemos ter outra atitude, que não a de RESPEITO! Certo? 🙂

      Beijinhos

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  3. Olá Paula,
    Mesmo sendo atrasada… a leitura deste excelente artigo (pelo qual te dou os parabéns porque está excelente) levou-me a uma reflexão e dessa reflexão, conclui que, na minha perspectiva, o sexo será sempre uma consequência de um sentimento. Seja sexo sem compromisso, amizade colorida, ou namoro… sempre haverá um sentimento por detrás do acto sexual. De que sentimento se trata, poderá haver discussão, mas existirá sempre alguma coisa mais, para além do instinto animalesco que reside em cada um de nós 🙂
    E mesmo “pegando” no estudo do Abraham Maslow, não podemos concluir que essa necessidade básica e prioritária seja desprovida do tal sentimento. Sendo uma necessidade, será sempre satisfeita com base num qualquer sentimento, seja ele forte, intenso, profundo, ou menor, confuso e descomprometido.
    Na minha opinião e considerando este artigo excelente na abordagem e na reflexão, necessito (mesmo não sendo uma necessidade básica, hehehe) de deixar claro aqui um pensamento, o meu pensamento:
    A ausência de um compromisso, poderá levar (e bem) a sexo sem compromisso, mas, repito, a ausência deste… não está directamente relacionada com ausência de sentimento!

    Um beijo e… obrigado pelos temas que nos disponibilizas à leitura e reflexão!

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    • Olá José Carlos!

      Em primeiro lugar, muito obrigada pela leitura atenta.
      Sem dúvida que este meu artigo despoletou sobremaneira, a atenção dos leitores, a avaliar pelos vários e divergentes comentários subjacentes ao tema.
      Ainda que não seja sexóloga de profissão, como sabes, nem tampouco tenho essa pretensão, não posso descurar o que vem descrito na literatura, nem o precioso testemunho de sexólogos, infelizmente, alguns deles não devidamente reconhecidos na praça pública, pelo mérito, mas ainda assim, bem que o mereciam, pelo muito do saber que deles aprecio e valorizo.
      Na fundamentação do teu comentário referes “(…) O sexo será sempre uma consequência de um sentimento(…)” e, a dar-lhe consistência, o teu último parágrafo.
      Ora bem! Focalizando o tema no Sexo sem Compromisso, se releres no artigo, consta:
      [Os adeptos desta “modalidade”, à priori”, repartem um atracção física mútua, ou outra, e geralmente não partilham…].
      Quer isto dizer que poderão existir excepções, como a tua opinião, que por sinal, é também a minha e, certamente, a de muitos outros…que consideram que “o sexo, na ausência de um compromisso…não está directamente relacionado com ausência de sentimento”!
      Ainda assim, parece-me algo complicado de gerir a nível emocional, que é como quem diz: “Não é para os fígados de qualquer um”!…Pois repara(!):
      O que está descrito, é que nesse tipo de relacionamento, ainda que os envolvidos dêem, digamos que, o seu melhor no acto sexual, não é suposto envolverem-se emocionalmente…vivem apenas o prazer do momento e pronto! Parece serem felizes assim, como por exemplo, o elucida este artigo:
      http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/sociedade/detalhe/sexo-sem-compromisso-faz-bem-a-saude.html.
      Já a colega blogger Ana Garcia Martins, do blog “A Pipoca Mais Doce”, não pensa da mesma maneira, a avaliar por este seu hilariante artigo, a meu ver, um tanto ou quanto, sexista, e que de certa forma, como que nos induz, a nós mulheres, a sentirmo-nos vítimas:
      http://apipocamaisdoce.sapo.pt/2014/06/genericamente-falando-sobre-sexo-sem.html.
      Resumindo, a minha sincera opinião é que as pessoas só têm que SER FELIZES, mediante as suas ESCOLHAS, sejam elas quais forem!
      E para concluir, esta brilhante reflexão que muito admiro: 🙂
      “Para ser grande, sê inteiro: nada
      Teu exagera ou exclui.
      Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
      No mínimo que fazes.
      Assim em cada lago a lua toda
      Brilha, porque alta vive.”

      Ricardo Reis

      Beijinhos

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