Contingências do APOIO À VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA!


Paula PedroOlá caros leitores!

A propósito das III Jornadas Nacionais Contra a Violência Doméstica e de Género que arrancaram no dia 04/11/2014 e que irão prolongar-se até ao dia 5 de Dezembro, integrando assim no seu expoente máximo, o Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência Contra as Mulheres – 25 de Novembro – considerei pertinente trazer-vos o tema da VIOLÊNCIA DOMÉSTICA.

E VIOLÊNCIA DOMÉSTICA (VD) é com efeito, um dos temas mais debatidos por Teresa Morais, a nossa actual secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade que, segundo refere: “nunca se falou tanto de violência doméstica na sociedade portuguesa como agora”; “nunca a comunicação social deu tanto destaque às situações que acontecem, muitas vezes de forma letal”; sendo “importante” que a comunicação social propicie visibilidade a esta temática, porque está a contribuir “para a sensibilização das pessoas”.

– Pois é, sra. secretária de Estado da Igualdade!…Tem toda a razão!…O problema é que infelizmente, a avaliar pelo que se constata, a nossa comunicação social parece “mais preocupada” com o sensacionalismo e com o mediatismo das notícias ditas “bombásticas”, algumas delas, verdadeiramente dramáticas infelizmente, e com os programas persuasores da “cultura da futilidade” e afins… porque enfim, já se sabe, não é verdade?… Esses tais é que conferem de alguma forma, um nível de audiências, digamos que aprazível, atendendo às contingências do mercado concorrencial, que é como quem diz:

Tendencialmente,”A CULTURA DA FUTILIDADE”…GERA MAIS AUDIÊNCIAS!”

Por conseguinte, para “mal dos nossos pecados”, sobra muito pouco “espaço” nos nossos média para enfatizar o flagelo da VD, em debates televisivos, programas que visem educar, esclarecer, apoiar, orientar (e o mais importante: em horário nobre!), e que contem com a participação de profissionais de saúde, técnicos das forças de segurança, magistrados, elementos da comunidade educativa, … … por forma a despertar toda a comunidade para este grave problema que é um CRIME PÚBLICO, e como tal, OBRIGATÓRIO DENUNCIAR!… Dado tratar-se  de uma “grosseira e grave violação dos direitos humanos, que muitas vezes, acaba na morte dessas mulheres”, como o refere e muito bem, Teresa Morais.

– Ora bem! Para melhor fundamentação do presente tema, tenho impreterivelmente que dar enfoque especial à APAV – ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE APOIO À VÍTIMA, e bem assim, por um lado prestigiar a sua mui completíssima página na internet, e por outro lado, dignificar a sua missão, que mais não é do que:

“Apoiar as vítimas de crime, suas famílias e amigos, prestando-lhes serviços de qualidade, gratuitos e confidenciais”.

Ainda que a APAV seja, conforme o elucida a respectiva página, uma Organização SEM FINS LUCRATIVOS e de VOLUNTARIADO, que apoia de forma qualificada e humanizada vítimas de crimes, através da sua Rede Nacional de Gabinetes de Apoio à Vítima e da sua Linha de Apoio à vítima – 707200077 (dias úteis: 10/13 h/14-17h), a realidade é que existem falhas inadmissíveis e intoleráveis, pois repare-se:

– Em primeiro lugar, a LINHA DE APOIO À VÍTIMA nunca e em circunstância alguma deveria possuir um número que implica uma chamada telefónica de valor acrescentado, precisamente por este motivo: começa por 707. Na minha óptica, “UM ROUBO!”… Isso mesmo! Um roubo, como tal, ilícito(!), porque induz-nos a crer que visa favorecer “os bolsos pestilentos e nauseabundos” de “alguém”, quiçá “parceiros do compadrio” no âmbito das telecomunicações(?), à custa, imagine-se(!), da tragédia e do sofrimento atroz da vítima que, “sabe Deus como(!)”, ainda por cima tem que suportar integralmente (o que inclui taxas adicionais) o custo da dita chamada telefónica que, imaginamos nós, seja realizada concomitantemente em contexto de profundo desespero!(?)

– Pelo exposto, chega!…Há que considerar urgente a atribuição de um número verde à Linha de Apoio à Vítima, ou seja, iniciado por 800, no sentido das chamadas telefónicas serem totalmente gratuitas, e bem assim, a vítima não se sentir “constrangida financeiramente” pela eventual morosidade da sua chamada! E notem bem caros leitores!… Esta poderá ser uma medida de SENSIBILIZAÇÃO muito importante a ter em consideração na actual conjuntura de crise política, económica e social que o nosso país tem vindo a atravessar e cujo fim não se vislumbra! Ou não partilham desta opinião?

– Em segundo lugar, a contingência que vos apresento de seguida é, digamos que, mais delicada, pois analise-se: na sequência da pesquisa que efectuei para elaborar o presente artigo decidi contactar o GAV (GABINETE DE APOIO À VÍTIMA) – COIMBRA, por ser o mais próximo da minha área de residência, no sentido de obter informações mais esclarecedoras para além daquelas que constavam na página da APAV – VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, relativamente aos seguintes itens:

  • Apoio Jurídico; Apoio Psicológico; Apoio social.
  • O Voluntariado na APAV.
  • E dentro deste último, interessava-me particularmente a modalidade do “AMIGO PRO BONO” – Profissional qualificado em determinadas áreas especializadas, como Medicina, Psicologia Clínica, Psiquiatria, Advocacia, Marketing, Design, etc., que não tendo disponibilidade para colaborar presencialmente nas actividades da APAV, poderá no entanto vir a fazê-lo de uma outra forma.

Determinada e audaz como sempre fui, ou caso assim não fosse, muito provavelmente, tampouco teria a ousadia de me expressar em blogues e em páginas da internet… mas dizia eu, tratei de marcar uma audiência através dos números de telefone disponíveis na plataforma; os ditos: 239781545/6.

– Pois é!…Mas que enorme dificuldade! Na primeira semana foram recorrentes as tentativas de contacto, em diferentes dias úteis e sempre dentro do horário disponível para o efeito, de tal forma que até me dei ao trabalho de proceder ao registo das mesmas, sendo certo que:

– NUNCA NINGUÉM ATENDEU!!!

Melhor dizendo, marcando o número 239781546, o atendedor automático informa: – “O número que marcou não se encontra atribuído, por favor tente de novo! Obrigada.”

Relativamente ao número 239781545, a informação automática ao ser digitado era sempre a mesma, e passo a citar: – “O serviço de mensagens correspondente ao número que marcou ainda não está disponível, desta forma, ainda não é possível deixar-lhe uma mensagem porque esta chamada é totalmente gratuita. Por favor volte a ligar mais tarde! Obrigada.”

No início da semana seguinte, lá reiniciei eu nova tentativa de contacto, até que…”Aleluia!”… Finalmente alguém atendeu! Todavia, surgiu uma pequena, senão, grande contingência, que passo a partilhar convosco:

Efectuada a minha apresentação e pretensão relativamente ao contacto com o GAV-COIMBRA, a colaboradora que me atendeu informou-me o seguinte:

-“A Gestora do Gabinete vai estar de férias até ao final da semana, não existindo mais ninguém que a possa substituir na responsabilidade de prestar informações à comunicação social -“Meu Deus! Sou apenas uma enfermeira e por acaso, também blogger, a querer elaborar um simples artigo sobre VD!” – Ainda contra-argumentei!…E continuou:

-“O melhor mesmo que tem a fazer é consultar a página da APAV!” – (Imagine-se!… E se eu estava “fartinha” de a esmiuçar!…) – “Ou então envie um e-mail para apav.coimbra@apav.pt, a solicitar a audiência, todavia só obterá resposta a partir de 6a. feira”! (Pois…altura em que a dita senhora regressaria de férias!).

Em última instância e em caso de maior urgência (que efectivamente era o caso… e vejam lá bem o grandessíssimo desplante!), sugeriu-me que contactasse a APAV – SERVIÇOS CENTRAIS,  em LISBOA, via telefone, através do número 213587900, ou então por e-mail para apav.sede@apav.pt, no sentido de marcar a tal audiência.

– “Oh valha-nos Deus!”… – Ele há “coisas” que me irritam alarvemente! E esta BUROCRATIZAÇÃO EXCESSIVA é uma delas! Aliás, é-me algo francamente “indigesto”!

– Bem!…Indiscutivelmente as pessoas têm todo o direito a feriar; agora, tal, jamais poderá inviabilizar a continuidade da prestação de um serviço que, voluntário ou não, é público, independentemente de SE SER ou NÃO, VÍTIMA! Ou não não é justo que assim seja, caros leitores?

– “Pois vamos lá a ver”(!): suponhamos que hipoteticamente pretendíamos AJUDAR, ainda que indirectamente, ALGUÉM que suspeitávamos estar a ser vítima de um determinado tipo de VD, deixando esta transparecer a sua repulsa em consentir “QUEBRAR O SILÊNCIO”, e bem assim, indiciar preferir manter-se no anonimato, no mais profundo sigilo, tendo nós consciência que o tempo urgia e poderia ser um factor francamente desfavorável na ocorrência de graves danos?

– Como é que é?… Afinal, com quem é que podemos contar atempadamente?… Denunciávamos assim, sem mais… na base da suposição, como o incita na página da APAV?

Provavelmente não o faríamos no imediato (penso eu!)… mas quiçá, se detentores de informação mais detalhada e em tempo oportuno relativamente ao tipo de Apoio à Vítima, a nossa AJUDA e SOLIDARIEDADE presencial perante a mesma, não seria um importante factor impulsionador, no sentido de encorajar a vítima a DENUNCIAR, e bem assim, “LIBERTAR-SE”?

-Ah pois é!…

Ainda assim, e mesmo sem atendimento presencial, consegui apurar os seguintes dados:

  • Os recursos humanos existentes no GAV- COIMBRA são limitados e daí, provavelmente, as dificuldades iniciais no atendimento telefónico.
  • Tem havido um crescimento acentuado de casos que carecem de Apoio à Vítima de VD.
  • Os colaboradores “desdobram-se” numa multiplicidade de tarefas que incluem contactos com parcerias, Instituições de Apoio e bem assim, mobilização de meios.
  • A APAV promove e desenvolve Cursos de Formação, quer para Formadores, quer para Formandos, todavia e pelo que percebi, tais Cursos não são gratuitos – o que está redondamente errado!…Pois se não são gratuitos, DEVERIAM SER!!!… O ESTADO QUE ASSUMA OS CUSTOS INERENTES, UMA VEZ QUE TAIS CURSOS VISAM A PREVENÇÃO DA OCORRÊNCIA DE UM CRIME PÚBLICO, COMO O É O DA VD!

E realmente os dados estatísticos são assustadores…e bem que nos induzem à reflexão:

– Só este ano, 32 mulheres foram assassinadas no âmbito do crime de VD; 107 crianças ficaram orfãs de mãe.

– Na última década, tal crime implicou a morte de quase 400 mulheres em Portugal.

Para terminar este extensíssimo artigo (e perdoem-me por isso!…), partilho convosco este vídeo, um trabalho académico da estudante universitária Joana Macedo, promovido pela APAV, que visa a SENSIBILIZAÇÃO. Em enfoque: A QUEBRA DO SILÊNCIO!… Uma mensagem de ESPERANÇA que afinal, há uma saída para a LIBERDADE… para começar de novo… para SER-SE FELIZ!…

Como sempre e na medida do possível, até breve se Deus quiser.

Beijinhos

 

Paula Pedro

 

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3 comentários a “Contingências do APOIO À VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA!

  1. Pingback: Contingências do APOIO À VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA! | O Retiro do Sossego

  2. Infelizmente é uma realidade chocante que agora começa a conhecer a divulgação e a crítica social. No passado era prática corrente e pouco criticada. Seria bom que se combatesse o mal pelo lado das causas, para evitar as consequências.

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    • Muito obrigada pelo comentário, Joaquim Figueiredo! 🙂
      Esta é sem dúvida uma temática pertinente, infelizmente, prática corrente e pouco criticada no passado…
      Ainda assim, estão a decorrer as III Jornadas Nacionais Contra a Violência Doméstica e de Género, que começaram no dia 04/11/2014 no Teatro Thalia, em Lisboa, com uma leitura dramatizada dos textos Feridas de Morte; estando previstas mais de 30 iniciativas organizadas com diversos ministérios, organismos públicos, associações e organizações não-governamentais, e será lançada a nova Campanha Nacional contra a Violência Doméstica. As referidas Jornadas decorrerão até 05/12/2014, integrando no seu expoente máximo, o dia 25/11/2014 – o Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra as Mulheres.
      Reblgged in: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/comunidade-tem-de-despertar-e-denunciar-os-casos-de-violencia-domestica-diz-governo-1675079
      Aguardemos expectantes, o feedback das medidas previstas e que supostamente estão a ser implementadas…já que para a comunicação social, a avaliar pelo que se constata, esta temática passou para segundo plano…

      Beijinhos

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