Pensamentos…fragmentos de VIDA! (I)


Paula Pedro

© PP

Olá caros leitores!

Habitualmente dedico parte do meu reduzido tempo livre à literatura e à escrita; por sinal, os meus hobbies predilectos, como alguns de vós já o sabem, principalmente aqueles que de alguma forma, directa ou indirectamente, me conhecem. Ainda assim, apesar das limitações de tempo disponível para o lazer, lá vou conseguindo disponibilizar um tempinho extra para fazer o gosto ao dedo, ao olho e enfim, à alma!…

Um dia destes, incidi a minha leitura numa autora que não me canso de ler e reler pelo muito que me apraz: Clarisse Lispector (1920-1977), escritora e jornalista nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira que nos deixou uma interessante obra, traduzida numa epifania de personagens comuns em cenas da vida quotidiana simples e tramas psicológicos.

Focalizei a minha atenção neste seu pequeno texto, com efeito, um dos meus preferidos, pela emocionante mensagem nele subjacente e que, como que nos induz à introspecção, à auto-análise; daí que, a leitura do dito texto e talvez a componente psicológica inerente à proximidade do meu aniversário foram, digamos que, a minha fonte de inspiração para escrever o presente artigo neste “cantinho”; e espero que, o primeiro de muitos Pensamentos…fragmentos de VIDA!”

Completar mais um ano de aniversário é sempre algo de bom, principalmente se beneficiamos de saúde, o bem mais precioso da vida, não é verdade?…Porque o resto, aquilo que acreditamos que nos faz feliz, das duas uma: ou já detemos, ou pelo menos lutamos por isso mesmo! – Certo?!… E se não lutamos, que é como quem diz: se nos subjugamos a um VIVER/SENTIR infeliz, então é que “está o caldo entornado”, correndo-se o risco de nos tornarmos vítimas de nós próprios, da nossa própria desgraça, seja lá qual for a causa! – Ou não?

Não sei porquê, mas cada vez mais atribuo uma relevância extraordinária ao dia de aniversário, que por sinal, tem vindo a crescer à medida que os anos passam. A partir de certa altura, principalmente depois dos 40 anos, passou a ser importante para mim não trabalhar nesse dia e dedicá-lo exclusivamente, uma parte, a mim própria, e a outra, no convívio com os que amo.

– Pois é! E vá-se lá saber porquê(?),  é precisamente em alturas festivas como esta que surge em mim uma certa apetência para evocar e recordar o passado; todavia e felizmente, sem qualquer tipo de sentimento nostálgico… muito pelo contrário!… Serão sempre lembranças que perdurarão na memória: umas menos doces, outras mais doces e outras, extraordinariamente doces.

Assim, olhando para trás e tendo por base o constante no dito texto de Clarisse Lispector, aqui fica o meu testemunho, ainda que, com o seu quê de subjectividade, dado que faço questão de expor publicamente o mínimo possível, no que diz respeito à minha vida pessoal.

 

Pensamentos… fragmentos de VIDA #(I) – O PRIMEIRO

 Já senti tanto medo, a ponto de desfalecer na sequência de uma reacção vagal; já segurei e seguro diariamente “mãos e rostos” cravejados de medo…principalmente de se morrer; já incuti e incuto mensagens de esperança, para amenizar a agonia face a um futuro próximo incerto; já calei, para não ferir susceptibilidades; já gritei irada, para fazer jus à minha razão e por isso mesmo, perdi-a; já menti e omiti grandes verdades, para depois me arrepender; já liguei para quem não queria, só para não ligar para quem realmente queria ouvir; já chorei tanto por perdas inestimáveis, a ponto de ficar com o fácies desfigurado; mas também já chorei de alegria e outras emoções à mistura que pura e simplesmente, deixei despoletar; Já passei noites inteiras em claro, de tão feliz me sentir; mas também já as passei em claro, por grandes tormentos da alma; já afastei amigos de longa data porque me desiludiram…quiçá, também os terei decepcionado?… Já calei a dor recorrendo a subterfúgios ridículos; já amei em silêncio; já amei quem não merecia em detrimento de quem, bem que o merecia; já pensei que amava, mas não (!)…enganei-me a mim própria, e embora não intencionalmente, causei mágoa; já amei intensamente de corpo e alma, mas também já desamei; já deixei de acreditar no que realmente valia a pena, inclusive no amor…mas o tempo passou, o tempo curou e, para minha grande surpresa, o coração “descongelou” e voltou a acreditar!…

Quando se gosta…gosta! Não há lugar a “mas” nem “meio mas”!… Não se ama “assim-assim”,  nem “mais ou menos”! AMA-SE DE CORPO E ALMA, com autenticidade! Ou então, não se ouse dizer que SE AMA!

Por isso, não me venham dizer como é suposto gerir as minhas emoções! Não me venham com pretensas fórmulas mágicas – que mais parecem esforçadas poesias bucólicas – para ser sempre assertiva,  pois não conto acertar sempre nas minhas escolhas, mas bem que gostaria! Não esperem de mim aquilo que não posso dar porque pura e simplesmente, não tenho! Não sei fingir o que não sinto, nem sou; tampouco sei viver de fachadas, hipocrisias ou tretas!

Sim, mudei!…Mudei com os anos; mas há ALGO em mim que nunca mudou e tenho sérias dúvidas que venha a mudar: A VOZ DO MEU CORAÇÃO, que nunca deixei de seguir!…

E para finalizar, algo inebriante: uma poesia declamada com um fundo musical; para mim, das mais lindas do mundo

 

© Paula Pedro

 

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7 comentários a “Pensamentos…fragmentos de VIDA! (I)

    • Adorei o seu post “Hasta cuando?
      Realmente somos os principais responsáveis pela nossa própria destruição, do Outro e do mundo, fruto de más escolhas, má gestão dos recursos humanos ou materiais e até negligência de valores que entretanto se vão perdendo.
      O monopólio capitalista das sociedades cada vez mais consumistas, a ostentação pelo poder, o fundamentalismo…e até a má utilização da internet são fios condutores na vertente da ruína do Homem.
      Dependerá de nós mesmos operacionalizarmos uma mudança de comportamentos, de mentalidades, de pensamentos…para edificarmos um mundo melhor, em liberdade, solidariedade e amor ao próximo.
      Muito obrigada pelo seu contributo…afinal de contas, o seu “pensamento…fragmento de vida!”

      Beijinhos 🙂

      Paula Pedro

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    • Muito obrigada pelo comentário Alice Coelho; vindo de si, um admirável elogio que me afaga a alma.
      Aqui neste “cantinho”, este é, e espero que, o primeiro de muitos “Pensamentos…fragmentos de VIDA!”

      Beijinhos 🙂

      Paula Pedro

      Gostar

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