BODAS DE OURO – Um pequeno tributo aos felizardos!


Paula PedroOlá caros leitores!

A propósito da proximidade das BODAS DE OURO daqueles que me trouxeram a este mundo, não poderia deixar de postar aqui, neste meu “cantinho de escrita”, um pequeno tributo, não só a estes últimos, aqueles que me dizem respeito, mas também a todos aqueles, creio poder designá-los como: FELIZES CONTEMPLADOS (?!), por terem partilhado toda uma vida em comum, seguramente com laços de amor, amizade e cumplicidade.

Sim! Porque enfim…, não quero crer que seja possível consentir viver-se uma vida inteira de partilha mútua, fora deste registo (!), que é como quem diz: se não se amar verdadeiramente, se os “atropelos” e os “tropeços” que entretanto forem surgindo no decorrer do tempo, causarem danos, de todo irreparáveis, seja lá a que nível for, não estou a ver as duas infelizes “almas”, subjugarem-se à terrível condenação de terem que se tolerar e se suportar … “ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE”!…

Ao que se perscruta, é muito raro nos dias de hoje ver-se um casal atingir os 50 anos de casamento/união, de maneira que a renovação dos votos no feliz dia, como que assume um valor inestimável, traduzindo-se num MOMENTO ÚNICO, dos tais… inesquecível de todo! Quiçá, aquele que mais valorizarão por terem chegado aqui?!

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E o “terem chegado aqui” tem muito que se lhe diga! Oh se tem!… Ora pois, ninguém acredita que tudo tenha sido “um mar de rosas”, qual maravilhoso conto de fadas em que impera a subtil treta, que no cômputo geral todas as criancinhas adoram ouvir ( e até mesmo nós, porque não?!) do: “CASARAM E FORAM FELIZES PARA SEMPRE”!!!

Pela minha parte, contam-se pelos dedos das mãos os casais que vi congratularem-se pela partilha de 50 anos, de TUDO. Um TUDO incondicional onde a voz do amor prevaleceu sobre todos os “SE”… ainda que alguns “tornados” tenham causado forte agitação e um turbilhão de emoções à mistura, nada aconteceu felizmente, mui provavelmente nem era suposto acontecer (?!); como costumam dizer os anciãos da aldeia das minhas raízes que, apesar de já ser uma veterana bem madura,  continuam a tratar-me de uma forma muito peculiar, que em nada mudou:

– “Menina, fomos educados para consertar, com amor e carinho, e não, para virar as costas ou dar cabo da nossa companhia”!

– Ah pois é! Gente de outra “fibra”… gente cauta de outros tempos.

Na expressividade do amor, poderão até já ter-se extinguido quase completamente aqueles fulgurosos e arrebatadores momentos sexuais, que entretanto certamente foram dando lugar a outro tipo de fantasias e manifestos de ternura, o que se deduz, entre outros achados, pelos comentários que se vão ouvindo esporadicamente, em tom de desabafo:

– “Oh menina, a gente já não tem a saúde nem a pujança de outros tempos, mas cá nos vamos arranjando”!…

E não é preciso mais nada, de facto! Basta olhá-los, observá-los atentamente para se denotar uma tremenda cumplicidade, dedicação e zelo, traduzida nas pequenas coisas que vão fazendo um pelo outro … os tais pequenos nadas que, afinal valem tudo: AMOR!

Por falar em amor, de repente veio-me à memória, uns tais incidentes críticos que presenciei, felizmente que raros, mas ainda assim, nas alturas em que ocorreram, induziram-me a pensar que algo terrível estaria na iminência de acontecer, a avaliar pelas espalhafatosas discussões acesas, seguidas de um mutismo quase, quase completo, que comecei a aperceber-me, não passava das 21:00 horas … ou seja, perto da hora de recolher tudo já estaria esclarecido e resolvido, deixando-nos boquiabertos, a mim e aos meus irmãos, pela rapidez das tréguas.

– Bingo! Mas que maravilhoso prelúdio! Descobri que aqueles dois, não conseguiam ir dormir sem fazer as pazes, nem tampouco separar o mui respeitado leito.

– “Podemos estar descansados! Isto é só fogo-de-artifício! Eles adoram-se e não conseguem passar um sem o outro” – comentei com os outros dois da ninhada, tranquilizando-os; tinha que os proteger; sentia-me com essa obrigação, já que era a mais velha dos irmãos.

Aos poucos, nós os filhos fomos saindo da vossa alçada, da vossa zona de conforto – afinal de contas, a lei natural da vida! – mas nem por isso do vosso coração, do vosso olhar atento. Nem nós, de vocês! E assim o amor continuou a crescer e a ganhar consistência, alargado com a vinda dos netos, que entretanto também medraram; alguns já espreitam mesmo para fora do ninho; outros entretanto, já preparam mesmo o voo de saída. Também nós por lá passámos, não é verdade?

Entretanto passaram 50 anos – Meu Deus! Como o tempo passou a correr…

Somos inequivocamente os frutos da vossa linda história de amor, e por isso mesmo, queremos agradecer-vos por tudo aquilo que somos e muito mais, que não interessa agora estar aqui a esmiuçar …. Aproxima-se o dia do tão merecido e digno tributo; o momento que aguardamos expectantes, onde todos os que vos amam, incluindo familiares chegados e amigos de longa data, irão contemplar a vossa renovação dos votos matrimoniais, e felicitar-vos pela bem-aventurança.

Pela minha parte, desejo sinceramente que esse dia seja como que, um afago da alma que vos fortifique, para que possam enfrentar este Outono da vida com qualidade, no aconchego um do outro, recordando com ternura e com doçura, o quanto A VIDA É BELA … até ao último suspiro.

MUITOS PARABÉNS QUERIDOS PAIS!

Para vós, ALGO especial realizado pelo saudoso Manoel de Oliveira: uma linda poesia em forma de música.

Pedro Abrunhosa – Momento

E para todos aqueles que por esse mundo fora estiverem em análogas circunstâncias ou de alguma forma se reverem neste texto, a minha sentida homenagem: HONRAS e LOUVORES são devidos!

Como sempre, até breve se Deus quiser.

Beijinhos

 

Paula Pedro

 

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2 comentários a “BODAS DE OURO – Um pequeno tributo aos felizardos!

  1. ….Maravilhoso poder partir e repartir momentos de tão grande emoção interior. Que a vida lhes sorria em cada dia e que nós possamos colher desses sorrisos para nos alegrar os instantes…… Parabéns ……….!!!

    Um beijo Paula, que tens o privilégio de assistir a tamanho e grandioso acontecimento…. ❤

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    • É seguramente um privilégio poder assistir a tamanho e grandioso acontecimento, mas o maior privilégio para mim é tão somente, aqueles, precisamente aqueles e não outros, serem os meus pais; aqueles cujo amor foi uma linha em contínuo, todos os dias da minha vida…
      Muito obrigada pelo bonito comentário Alice Coelho, por sinal, um pensamento com alma … dos tais, com que já nos habituou. ❤

      Beijinhos. 🙂

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