Conta-ME Histórias, que EU gosto!… Contas? #1 – AINDA TE AMO, E ENTÃO?… ESPERO(-TE)?


© PP

 

#1 – AINDA TE AMO, E ENTÃO?… ESPERO(-TE)?!

 

 Havia a Inês e, havia o Pedro. Dois seres completamente diferentes um do outro, com personalidades discrepantes e, aparentemente, para qualquer comum dos mortais que os conhecesse, sem quaisquer características conciliáveis; do género: uma mistura de água e azeite no mesmo copo. – “OH MY GOD”!

Credo! Mas como é que é possível aquelas duas alminhas terem-se apaixonado só com um simples – “Olá!-Gostaria-de-te-conhecer.-Queres?”

Como é que é possível, ela, e logo ELA(!), ter aceite tal convite, provindo de um tipo que mal conhecia, com olhos concupiscentes a fitarem-na, porém, com um quelque chose de magia nas palavras e na voz; um expressar temido de afectos e de emoções, em género de “voz calada lá no fundo”, que a encantou perdidamente.

Raios! Não era suposto acontecer… apaixonar-se. Não podia? Não devia? O quê?

– Bolas para a imagem a preservar! Que se lixe! Como o terá dito Clarice Lispector: “perder-se também é caminho”! Vou permitir deixar-me ir até onde o barco me levar, porque a realidade é que estou a ADORAR – gritou-lhe a voz do seu coração. E assim foi.

Quem era ele? Nem ela sabia ao certo, ele era ELE e pronto. Era seguramente um indivíduo pacato; amigo do seu amigo; humano; solidário e extraordinariamente reservado, do estilo: “de-quem-eu-gosto-nem-às-paredes-confesso”! Muito senhor do seu nariz, argumentando as suas convicções com sinceridade, sensatez e, uma certa inflexibilidade: – “É assim que tem que ser, e, ponto final”! – argumentava, quando contrariado.

Amante da LIBERDADE e da VIDA, abominava qualquer tipo de dependência emocional/afectiva, para além da implícita à família.

SEXO PONTUAL e/ou OCASIONAL era a sua missiva nos efémeros relacionamentos amorosos que ia vivendo, o que sustentava a sua atribulada vida profissional de porto aqui, porto acolá.

E ela? Quem era? A Inês era uma mulher determinada; audaz; corajosa; voluntariosa; sempre de bem com a vida; nada, mas absolutamente nada discreta; dizia exactamente aquilo que pensava e/ou sentia a quem quer que fosse, onde quer que fosse e, sem grandes rodeios, doesse o que tivesse que doer.

Ostentava concomitantemente um sorriso franco e feliz, apesar das vicissitudes da vida. Tinha decidido fechar o seu coração ao amor, e, por isso mesmo, fugia a sete pés da seta do Cupido.

As suas prioridades na vida resumiam-se ao seu rebento, com 9 anos de idade, à sua profissão, como psicóloga clínica e, à sua paixão pela fotografia.

Não queria saber de relações fúteis, passionais, ocasionais por isto mesmo: NÃO ACREDITAVA NELAS e pronto!

Ficaria assim mesmo, sozinha, na sua zona de conforto, protegida por um género de redoma.

Até quando o conseguiria? E logo ela! “Um mulherão capaz de derreter o coração a qualquer um!” – Comentavam por aí, os mais ousados e atrevidos, que suspiravam por um simples café, com a inalcançável Inês.

O que é certo é que, imprevisivelmente a coisa deu-se: ELE e ELA, os dois em sintonia viveram dias, horas, minutos, segundos…  inesquecíveis de todo, que perduram em silêncio na memória de cada um deles. ELA e ELE, mesmo sem querer geraram um “NÓS” que não teve lugar a despedida… nem a um simples “até sempre!… Vemo-nos por aí!”

Tudo o que viveram e sentiram pura e simplesmente foi, como que, guardado numa gaveta fechada a sete chaves, detendo cada um a sua chave, guardada no seu coração.

De vez em quando, ELE olha para a chave e, logo de seguida, para a gaveta, mas…  fecha os olhos, prime os lábios com força e, não se atreve a abri-la, pelo que, cerrando a chave no punho, opta por guardá-la no sítio de sempre. E o tempo passa… “tiquetaque-tiquetaque-tiquetaque”!…

E ELA? Ela faz exactamente o mesmo que ele, e, sorri confiante, acreditando que um dia destes, algum dos dois abrirá a gaveta, e então, far-se-á luz!

Certamente reencontrar-se-ão nem que seja para dizer um “- Olá!-Então-como-vais?”, ou mesmo um “- Ainda-te-amo,-e-então?…-espero-(te)?!… Ou não? Quiçá?

O tempo o diria! O tempo o dirá!…

 

Roxette – It Must Have Been Love

 

©Paula Pedro

 

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