Conta-ME Histórias, que EU gosto!… Contas? #2 – UM DIA DE LOUCOS… O NOSSO!


#2 - UM DIA DE LOUCOS... O NOSSO! (2)

© PP – Prazeres Natura

 

#2 – UM DIA DE LOUCOS… O NOSSO!

 

Lá diz o ditado que “de louco todos temos um pouco”, não é verdade? – O que de alguma forma não legitima quem quer que seja, de nos apontar o dedo, como que, sinalizando que padecemos de insanidade mental; que é como quem diz: somos tolinhos, por via dos comportamentos e/ou formas de estar desviantes, em Sociedade, que, ainda que não sendo regra ou hábito, todavia, pela “lei do parece”, são censuráveis, porque de alguma forma, deram a entender serem verosímeis.

Mas qual é o problema de uma pessoa esporadicamente quebrar as regras, ainda que, de forma imprevisível?

Passo a esmiuçar melhor! Ah!… Mas antes, permitam os caros leitores que me apresente, carago(!):

Sou a Maria; 36 anos; solteira, todavia, com um curriculum vitae, digamos que, sobejamente enriquecido, no que a namorados diz respeito; sem filhos – nem sequer, com perspectivas disso mesmo – mas, ainda assim, adoro crianças, adoro os meus sobrinhos, adoro os filhos dos outros – workaholic por natureza, chegando a trabalhar em contínuo, 18 horas por dia; viajo imenso, por via da minha profissão; neste momento estou a terminar um doutoramento em Ciência Política e, possuo um fascínio compulsivo pelo mundo da moda; por conseguinte, como podem constatar, detenho um ritmo e um estilo de vida alucinantes, que me preenchem de todo, não sobrando tempo algum para, sequer, pensar em casar e/ou ter filhos, que nem a minha querida e insubstituível “Big Mummy”.

Esta sou EU! Sim, “Euzinha”, e depois?

Mas, retomando o fio à meada, dizia eu: qual é o problema, de uma pessoa, no meio desta azáfama da vida quotidiana, decidir fazer um break bem relaxante; não planeado (porque assim sabe melhor, não é mesmo?!); sem horários a cumprir; sem trilhos marcados… sem destino?!

Pois bem! Foi exactamente o que decidi fazer com o meu atual namorado. Perdão(!), decidimos, os dois; porque enfim… inequivocamente, para se dançar o tango, são precisos dois, não é verdade?

Na realidade, eu e o meu Manel adoramos o conceito de Turismo Rural, e, sempre que podemos, a bem dizer, gostamos de dar uma escapadinha, longe, bem longe dos ambientes citadinos. Adoramos fazer caminhadas ao ar livre; sentir a aragem e o cheiro da Natureza, pelas ventas adentro; piquenicar e sestear em mantas de trapos; explorar sítios que nem “Salteadores da Arca Perdida”, em busca do maior tesouro: a tão desejada privacidade, longínqua dos olhares indiscretos.

Privacidade? Pois é!… Coisa difícil de se conseguir, principalmente ao ar livre.

Bem, o que é certo é que, num belo dia, andávamos nós neste cenário exploratório e, deu-nos uma daquelas vontades sem espera possível, do género: APETECES-ME JÁ!

– Eh pá! Complicado!… E se vem alguém de repente? E se nos espreitam? E se?… O quê? É Crime Público? Atentado ao Pudor? – Foi o que ainda consegui soletrar, no meio de um beijo sôfrego, já com o corpo trôpego, a arder de desejo.

– Pois seja! – Argumentou o Manel já bem avançado e destemido no que (NÃO) era suposto fazermos.

A coisa correu lindamente e, soube melhor ainda, por via da “espreitoscopia” do perigo. Hum!… Que delícia!

O mais incrível é que, ocorreu precisamente na “hora H”, pois, quase logo de seguida, surgiram de relâmpago, no nosso espaço envolvente, – ou seja, no cimo do monte onde permanecíamos – uma catrefada de visitantes ao local: ele foi ciclistas com a sua BTT; ele foi atletas no seu Cross Training; ele foi visitantes à Capela local fechada e, aparentemente em ruína; ele foi uma numerosa família que circulava num monovolume, prontíssima para merendar e também desfrutar do ambiente florestal, e, até um jovem casal, quiçá com os mesmos intuitos que nós(?), mas que ao ver a multidão circundante, decidiu dar meia-volta, e ir embora daquela concentração, o quanto antes.

Lá permanecemos até ao anoitecer, na onda de piqueniques dispersos, numa atitude de “tapar o sol com a peneira”, todavia, muito, mas mesmo muito felizes, pelos momentos únicos vividos.

Foi sem dúvida, um dia de loucos, o que tampouco faz de nós uns loucos. E quem ousar nos apelidar de loucos, responderei peremptoriamente:

– LOUCOS? SIM! Com efeito; mas só se for UM PELO OUTRO!

 

História ficcional

 

 

© Paula Pedro

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: