Conta-ME Histórias, Que EU Gosto!… Contas? #22 – MEMÓRIAS VIVAS… À FLOR DA PELE!


Foto extraída da Internet

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#22 – MEMÓRIAS VIVAS… À FLOR DA PELE!

 

As nuvens de fumo acotovelavam as montanhas, tornando o ar irrespirável.

Os dias faziam-se quentes e tórridos.

Os incêndios grassavam como demónios, hectares e hectares de floresta, apagando as pegadas dos homens, e dos crimes.

As árvores esfumaçavam-se, formando baldios desertos de colheitas.

Multiplicavam-se os cenários de horror, dispersos aqui e acolá, porque o fogo maldito, – qual cruel besta do apocalipse -, ganhava pujança, engolindo casas, escolas, igrejas…

Soltava-se o terror. O medo soluçava-se sem fôlego, na respiração fustigada pelo fumo.

Bombeiros Voluntários bravios e civis solidários socorriam-se dos meios de combate disponíveis para combater a(s) besta(s). Mais os houvesse!… Toda a ajuda era bem-vinda, mesmo que tardasse.

Aos poucos, apagavam-se os fogos e os sonhos de uma vida… de vidas. Vidas dizimadas pelo rasto da destruição.

Tresandava a queimado e a amargos de boca, de fel; engolidos a seco, naqueles que tudo, ou quase tudo perderam, apesar da luta até à exaustão.

Eram estes os cenários de horror que não escapavam aos olhos de Maria, por via das notícias que passavam repetidamente na televisão.

Despoletavam-lhe memórias vivas de uma chaga que ainda sangrava. – Tinha perdido o malogrado marido, em combate, engolido pelas inexoráveis chamas.

Temia agora pela vida do seu único e amado filho, também ele um bombeiro audaz e voluntarioso, actualmente, em combate na frente de vários fogos, na zona centro de Portugal.

Maria fizera-se escrava dos dias cansados, abraçando-se num xaile preto – tal como muitas outras “Marias” que sofreram e sofrem na pele a dor da perda -, e esperava, às vezes, desesperando, tentando não sentir-se uma moribunda.

O fogo, esse malvado, ia e voltava. E os dias tardavam em ganhar cor, sonegando o azul do céu, os sorrisos e as vontades.

Este, seria mais um Verão de memórias, que carrega às costas a eternidade de vidas destroçadas.

Seria…

 

© Paula Pedro

 

 

 

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