Conta-ME Histórias, Que EU Gosto!… Contas? #30 – AMOR PRIMEIRO… NÃO TE ESQUECEREI!


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#30 – AMOR PRIMEIRO… NÃO TE ESQUECEREI!

 

Não se reviam propositadamente há uma catrefada de luas. Também não era suposto reverem-se nesta fase de luto do namoro que mantiveram durante a adolescência e início da juventude de ambos. Afinal de contas, tinham sido o primeiro grande amor, um do outro. – God! What a difficult situation!…

Tinham combinado ficar amigos, e, só isso mesmo; pelo menos por ora. O tempo encarregar-se-ia do resto: tratar as maleitas; arrumar a cabeça, o coração; dissipar dúvidas; [re]conquistar novas escolhas, novas oportunidades… viver!

Eram tão jovens, inexperientes, sonhadores; tão cheios de vida e projectos futuros não possíveis de concretizar num horizonte próximo. Eram!…

E, amavam-se; cada um na sua, e, à sua maneira, mas amavam-se, apesar das borboletas na barriga se terem dissipado durante o ano transacto.

O que teria acontecido para dizimar um amor tão bonito?

Nem eles próprios sabiam. Sabiam apenas que não se contentavam com os “vai-se andando”, “quando mal, nunca pior”, ou com os “é a vida!”. Não aceitavam dias mornos num futuro trabalho chato, que nada lhes dizia, ou, noites gélidas numa companhia amena cujo colo é quente e confortável, mas que já não retém o coração… já não o derrete como outrora.

Ambos mantinham a mesma linha de pensamento, ou pelo menos, pareciam manter – para os amigos e os mais chegados, claro! – . E será que realmente conseguiam manter? As aparências iludem. Sabe Deus o que iria nos recônditos mais íntimos de cada um!…

Não se vai ali à curva esquecer o primeiro [grande] amor, e volta-se  curado com um sorriso de orelha a orelha.

O amor acontece; mas também desaparece, mesmo sem nenhum motivo especial. Por isso, mais do que esmiuçar os porquês do mistério do enamoramento ou do desapego – que é uma conversa equivalente a discutir-se o sexo dos anjos -,  é importante perceber muito bem se o outro nos ama da mesma forma, com a mesma intensidade, e, se está disposto a fazer por nós, o que nos dispomos a fazer por ele.

Porquê? Porque um amor a sério aguenta o que quer que seja: desentendimentos, afastamentos, bons e maus momentos, braços-de-ferro, disputas. E se for mesmo a sério, dura, dura e dura; tal como um bom lenço de seda: jamais perde o toque, o conforto, a suavidade, o charme, o sentido… desde que bem tratado evidentemente.

Seria o amor deles, um amor a sério? Poderia ter sido, até conhecerem o lado do avesso de cada um.

Não conhecemos o outro até ao momento em que o vemos e sentimos por inteiro, e depois, de repente, não mais que de repente, como diz Vinicius De Moraes no seu “Soneto De Separação”, tudo muda, como que, por magia. Ainda assim, continuamos a amar, para sobreviver. Porque sem ele – o amor -, nada faria sentido.

A partir daquele dia em que se reviram pela última vez, tudo mudaria para ambos; nada voltaria a ser o mesmo – nem eles próprios!

Uma espécie de tsunami fez despoletar emoções e sensações há muito recalcadas. Soou um “amo-te/odeio-te!” desesperado, um “dei-te o melhor de mim…não vás!”; um “sem ti não vivo, vegeto!” e um “mereces melhor do que eu… quero que sejas feliz!”; escoaram lágrimas de sangue para o rio. E o abismo espreitava de insolente – ria esfregando as mãos; almejava a perdição dos querubins.

Afinal, a ferida em fase cicatricial ainda doía… e muito! Ainda assim, nada ficou por dizer, porque naquela linda noite de lua cheia, a confrontação tinha vindo de mãos dadas com as certezas. Finalmente iriam acabar os mas, os ses e os talvez. Havia que seguir em frente, e, de cabeça levantada… para bem de ambos!

Poderiam continuar amigos? – questionaram-se. Claro que sim, mas por ora, em silêncio. Urgia cicatrizar a ferida primeiramente.

– Cuida de TI! – Foram as últimas palavras que trocaram.

E partiram, com o coração aos pedaços.  Cada um no seu trilho, mas agora bem mais leves, sem pesos na bagagem.

 

História ficcional

© Paula Pedro

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