A QUESTÃO DOS…INCENTIVOS À NATALIDADE!


Paula PedroOlá caros leitores!

A pertinente questão da NATALIDADE, é com efeito, a temática que desta vez decidi abordar-vos num meu artigo, todavia e como sempre, num contexto diferente, porque pretendo dar especial enfoque a determinados aspectos importantes e que também dizem respeito ao tema, nomeadamente, contingências e/ou factores condicionantes à Natalidade, entre outros…e, com esta pretensa diferente abordagem, espero conseguir despoletar a vossa apreciação e induzir-vos à reflexão!

Ora bem!…Como é do conhecimento geral, o desenvolvimento da Sociedade Ocidental, como que, induziu compulsivamente as pessoas a adaptarem-se a NOVAS MUDANÇAS que entretanto foram sendo incrementadas; e estas MUDANÇAS, inequivocamente decorrentes da EVOLUÇÃO DO CONHECIMENTO nos diversos domínios, certamente fruto da Investigação Científica e da evolução das Tecnologias, entre outros, implicou forçosamente uma mudança no ESTILO DE VIDA das pessoas, pelo apelo ao cumprimento de novos papéis, novas responsabilidades e até, novos objectivos. Acresce ainda referir que, a COMPETITIVIDADE, a SELECTIVIDADE e o flagelo do STRESS, como que “tomou de assalto” a Vida das pessoas, tornando-as muito mais susceptíveis às tais doenças civilizacionais, como a Obesidade, a Hipertensão Arterial, a Diabetes Mellitus, entre outras que não interessa agora referir…e, também, mais susceptíveis à INFERTILIDADE, não só por causas endógenas – genéticas; hormonais; metabólicas; etc. – mas também, por causas exógenas – ambientais; traumáticas; mutilações cirúrgicas, etc…

Pelo exposto, poderiam, e muito bem(!), os caros leitores, questionar:

– Mas qual é a relação que a Paula está a tentar estabelecer entre a NATALIDADE e a INFERTILIDADE CONJUGAL?

Pois é!…Assim, a priori, pode parecer não haver grande relação, mas com efeito, até existe um “quelque chose” verosímil, pois repare-se:

Ainda que, o “relógio biológico” dos nossos ADULTOS JOVENS, despolete relativamente cedo, que é como quem diz: entre os 20 e os 30 anos, geralmente não é de todo possível, dar cumprimento à procriação tão desejada(!?), em virtude de terem que dar resposta a um “sem número” de objectivos que, como que compulsivamente, estipulam como prioritários no seu VIVER, qual “escalada” a conquistar até atingirem o tal objectivo, se é que o detêm (?!), de serem pais. A título de exemplo, saliente-se:

– O investimento na Formação Profissional: Cursos Profissionais; Bacharelato; Licenciatura; Pós-Graduação; Mestrado; Doutoramento – para os têm essas possibilidades, obviamente;

– O ingresso no mercado de Trabalho: a procura de um emprego estável, compatível com as suas qualificações profissionais, e por conseguinte, uma remuneração condigna que proporcione o garante da sua subsistência e/ou família nuclear;

– A aquisição ou o arrendamento de um imóvel: o tal “aconchego”, ou Lar, que inequivocamente, tem custos subjacentes, e que a bem dizer, correspondem amiúde à maior “fatia do bolo”, no que diz respeito a despesas do orçamento pessoal/familiar;

– A aquisição de viatura própria: na visão de alguns, um bem móvel perfeitamente dispensável; porém, na perspectiva de outros, tratar-se-á de algo absolutamente indispensável, às vezes, até por motivos profissionais.

E…a tudo isto, se nos cingirmos estritamente à MULHER, e mais concretamente à MULHER MODERNA, acresce ainda referir que esta última encontra-se, digamos que, pressionada por uma contingência, em nada abonatória, que é tão somente, o seu restrito período de fertilidade que, entre os 37 e os 42 anos de idade, já começa a ser crítico, e para além daí, nem se fala!…

Poderíamos ir ainda mais além, já que se está a abordar contingências da Mulher Moderna e, evocar questões psicológicas que, como que a incitam, a adiar o início da MATERNIDADE:

– O RECEIO DE VIR A TER SENTIMENTO DE CULPA!

Na realidade, a Mulher Moderna receia vir a sentir-se culpada por ser uma excelente profissional, mas não BOA MÃE, nem BOA ESPOSA/COMPANHEIRA(!); receia vir a sentir-se culpada por ser uma EXCELENTE MÃE, mas não ser dedicada como deveria ao TRABALHO e nem vir a ter tempo/disponibilidade para fazer “O AMOR APAIXONADO” com o marido/companheiro(!); receia vir a culpar-se por ser dedicada e “andar fresca e produzida” para o marido/companheiro, mas vir a não ter tempo para cozinhar e cuidar das lidas domésticas, e, em simultâneo se DEDICAR AO(S) FILHO(S) e ser boa profissional!…

Ah pois é!…E na Sociedade Ocidental, grande parte das mulheres consideram-se uma Mulher Moderna! Por conseguinte, mesmo depois de serem mães, recorrem a mirabolantes estratégias para poderem gerir da melhor forma possível esses tais dilemas; melhor dizendo, este “ETERNO SENTIMENTO DE CULPA” de se ser uma Mulher Moderna!…

Mas, voltando à questão da Natalidade, certamente é chegada uma altura da Vida em que, mais ou menos, estarão reunidas as condições para se satisfazer o desejo de PROCRIAR, salvo as excepções naturalmente, como é o caso daqueles que a rejeitam veemente, ou tampouco perspectivam vir a deter condições para tal.

Pois é!…O problema é quando surgem imprevistos de todo e que, a avaliar pelos dados estatísticos disponíveis – em Portugal, 1 em cada 5 casais, têm problemas em engravidar – não são tão poucos como eventualmente se possa pensar!…

Naturalmente que a notícia de que, apenas mediante o recurso a TRATAMENTOS DA INFERTILIDADE CONJUGAL, se consegue conceber, é recebida como “um grande balde de água gelada” em cima dos afectados!…tal qual:

– “Com esta é que não contávamos!”

Ainda por cima, com a agravante de todas as implicações daí decorrentes, não só em termos psicológicos, cujo grau de afectação poderá ser variável de pessoa para pessoa, como também a outros níveis, dado que, e repare-se bem(!):

– A acessibilidade às consultas de esterilidade, e bem assim, aos tratamentos de fertilidade, poderá ser um problema, não só por questões geográficas, porque normalmente, estes últimos, e no SECTOR PÚBLICO em particular, apenas funcionam nos grandes Centros Hospitalares do País, e como tal, com uma grande procura e consequente morosidade; desta feita…deslocações e estadias, implicam gastos, e, fundamentalmente…O TEMPO URGE(!), principalmente para a mulher!

O recurso ao SECTOR PRIVADO, nomeadamente aos Centros de Fertilidade credenciados, poderá ser uma alternativa, com possibilidades de financiamento do tratamento, ou o recurso a regimes convencionados nas Clínicas para o efeito, que aceitem parcerias com determinadas Instituições ou Seguradoras; todavia, estas últimas são muito poucas ( e a comparticipação poderá ser ou não, vantajosa!)…pelo que, meus caros leitores, não será de todo fácil, a opção por um tratamento que poderá ir até aos 5.950 €, e cujas taxas de sucesso variam consoante a idade, conforme se poderá constatar aqui, a título de exemplo.

Por conseguinte, acresce referir que “as propostas de incentivo à natalidade” que a “Comissão Independente”(?!) – criada a pedido do sr. primeiro ministro Passos Coelho – apresentou, e que são visíveis aquicomo que se traduzem  num manifesto “aceno falacioso e desesperado” de um :

– “Ai Jesus, que a população de Portugal está a envelhecer”!

– Ora!…Ora!…sr. primeiro ministro Passos Coelho!…Convenhamos não é verdade?…Assim, pelo exposto e no que concerne especificamente a esta problemática, trate mas é primeiramente e com carácter urgente…e, ainda antes destes pretensos “adesivos”(?!)…e repito!…trate mas é urgentemente, de reestruturar as políticas restritivas vigentes – como os sucessivos cortes, carga fiscal exorbitante e obrigações contributivas desmedidas, entre outros – que permitam aos nossos adultos jovens deterem  ao menos, as mínimas condições de segurança, que possam garantir a sua capacidade de subsistência de forma condigna, e bem assim, que possam fomentar o seu desejo de procriar!…Mais(!): Trate mas é de criar condições que fomentem a evolução da economia, o alargamento do mercado de trabalho, com remunerações justas, por forma a aliciar o retorno daqueles que em tempos, incitou a emigrar, e que estão a procriar além-fronteiras!…Mais(!): Trate mas é de descentralizar os Serviços Públicos que têm integrados a Medicina Reprodutiva, por forma a criar melhores condições de acessibilidade aos casais em situações de Infertilidade Conjugal, não só em Portugal Continental, como também nas Ilhas adstritas!

Então aí sim!…Será caso para se afirmar que não estará a “pôr o carro à frente dos bois”!

Para terminar este artigo, trago-vos uma música, claro!…integrada num vídeo peculiar, que ao fim e ao cabo, emana uma mensagem que nos sensibiliza: “O ESTADO DA ALMA”, traduzido na expressão do fácies – alguns, tristeza, inocência, resignação; outros revolta, e até…esperança; e quiçá(?) alegria, na esperança de um futuro melhor! – no seguimento das intermináveis e injustas políticas de austeridade que, compulsivamente nos têm subjugado!

 

Aquilo que eu não fiz – Tiago Bettencourt

 

Então…já sabem! Há que não perder a ESPERANÇA!…Sejam felizes, na medida do possível, e até breve se Deus quiser

 

© Paula Pedro

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3 comentários a “A QUESTÃO DOS…INCENTIVOS À NATALIDADE!

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