Ai cérebro meu, cérebro meu!…


Paula Pedro

© PP

 

A propósito de um episódio, e, diga-se de passagem, um excelente episódio que passou no programa televisivo da RTP: Linha da Frente (VII), no passado dia 6 de Junho, sob a designação “Cérebro meu”, o qual me deixou francamente apreensiva e até mesmo, impressionada e chocada, resolvi focar a minha atenção, e entenda-se aqui o termo focar como, vasculhar com minúcia toda a informação possível, capaz de complementar o meu saber acerca do assunto e bem assim, elaborar o presente artigo, que espero de algum modo, induza os caros leitores à reflexão, no que diz respeito ao consumo do medicamento CLORIDRATO DE METILFENIDATO, vulgo designado RITALINA LA 20 ou 30 mg, e cuja pretensa indicação terapêutica, será para tratamento da PERTURBAÇÃO DE HIPERACTIVIDADE COM DÉFICE DE ATENÇÃO (PHDA).

– Ora bem! Torna-se pertinente abordar o tratamento medicamentoso da PHDA mediante a administração de Metilfenidato, e não outro, como a Atomoxetina (Strattera), – cuja comparticipação é recente, pelo que talvez por isso mesmo, os dados apontam para uma utilização residual – precisamente, porque o consumo de tal substância terá disparado alarvemente na última década, a avaliar pelos dados estatísticos disponíveis, pois repare-se: consta que em 2004 ter-se-ão vendido cerca de 23.000 embalagens de Ritalina LA; já em 2014, a venda terá atingido as 280.000 embalagens, o que convenhamos, confere alguma estranheza.

– E porquê estranheza? – poderiam questionar os caros leitores.

Antes de responder a esta questão, convém salientar que a Sociedade Portuguesa de Neuropediatria caracteriza a PHDA como um distúrbio neurocomportamental comum que se inicia antes dos 7 anos de idade, e que persiste concomitantemente até à idade adulta. Destaca três áreas chave nas crianças afectadas: desatenção, impulsividade e hiperactividade. Informa ainda que “esta é a perturbação comportamental mais prevalente na população em idade escolar, em Portugal, atingindo entre 5% a 7% das crianças desta faixa etária”.

Dito assim, parece que nada de estranho se passa, mas com efeito, passa! Oh, se passa!…

– Então, se as taxas de Natalidade em Portugal não aumentaram de 2004 a esta data, muito pelo contrário, têm vindo a diminuir substancialmente, agravadas com a conjuntura de crise, o que inequivocamente traduz-se numa redução crescente do número de crianças/jovens, como é que é possível que o consumo de Metilfenidato tenha aumentado exponencialmente?

– Supostamente as nossas crianças (as poucas que têm vindo a nascer na última década, não é verdade?), são mais desatentas, desobedientes, irrequietas e, perdoem-me o tipo de linguagem – os mais susceptíveis que vivem este drama! – autênticos diabinhos que nem a dormir têm parança, e por isso mesmo, há que as manter controladas, sossegadas, quiçá silenciadas(?), mediante a toma do dito medicamento?!

– Hum!… Estou mais em crer que não será bem assim, ainda que o meio envolvente tenha um peso significativo na forma de ESTAR/SER das nossas crianças, e bem assim, condicione a sua interacção com O OUTRO. Quer isto dizer que, concordo com os pedopsiquiatras que defendem que, cada vez mais “os pais querem filhos bem comportados, com bom desempenho”; que sejam alunos exímios; que cumpram uma catrefada de regras, horários rígidos para as brincadeiras e para os recreios. Enfim!… Sem darem conta, como que estão a contribuir para que as suas crianças cresçam infelizes. E se algumas aceitam de ânimo leve, cumprir os deveres educativos impostos, sejam eles quais forem, outras, nem por isso, e vai daí, adquirem comportamentos libertinos onde impera o não, a agressividade, o insucesso escolar, relações interpessoais catastróficas, e até  a prática de bullying e outras formas de violência.

Ainda assim, concordo com a opinião de Emílio Eduardo Salgueiro, Pedopsiquiatra Psicanalista, quando refere em entrevista que:

” – Em regra não há filho irrequieto numa família tranquila”.

Mas para perceberem porquê, teriam que disponibilizar algum tempo para visualizarem a dita entrevista, no vídeo contido no link.

É indiscutível que o diagnóstico da PHDA baseia-se em critérios clínicos, e por aí, não me atrevo a ir, porque sou enfermeira, e não, pedopsiquiatra ou psicanalista e, a bem dizer, defendo aquela teoria do “cada macaco com o seu galho”; Quer isto dizer que o diagnóstico diferencial do distúrbio e a prescrição farmacológica do tratamento compete a quem de direito, do foro médico e ponto final. Todavia, há aqui uma questão premente, a meu ver; altamente preocupante e, certamente será essa a opinião de muitos de vós: é que a Ritalina LA “é da família da anfetaminas” e sim, causa dependência! A título de exemplo, repare-se no testemunho ipsis verbis, de uma criança interrogada na tal reportagem “Cérebro meu”:

“- Sinto que fico um bocadinho mais activa e tenho vontade de tomar o medicamento para estar mais agitada e estar um pouco mais atenta”.

E a sensação de rentabilidade e de produtividade por via do dito medicamento pode tornar-se viciante e perdurar no decurso do tempo, não sendo nenhum segredo dos deuses, o seu consumo pela população estudantil, principalmente a Universitária, que ao que parece, consegue encomendá-lo sem receita médica, pela internet, e, recebê-lo via postal, em casa, com a maior das facilidades, sem qualquer tipo de sanção. Um consumo descaradamente permissivo, por parte dos nossos governantes, portanto!

Outra questão pertinente é a controvérsia gerada em torno dos efeitos secundários da Ritalina LA; por um lado o INFARMED revela que “ainda não está completamente esclarecido como é que os efeitos mentais e comportamentais do fármaco se relacionam com a condição do Sistema Nervoso Central, mas o certo é que acresce o número de crianças a quem é diagnosticada a perturbação”; por outro lado, investigadores na área, como Teresa Summavielle, Investigadora no Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto, opina que a toma contínua do medicamento induz ao seguinte efeito: “os neurónios vão perdendo a capacidade de sintetizar dopamina e noradrenalina; começam a aparecer os efeitos inversos… e a capacidade cognitiva pode chegar a ser inferior ao ponto de partida”.

Ainda na mesma reportagem, constata-se que o caso de Duarte é realmente um drama para o próprio, para os pais, para todos os que interagem com ele. Arrasta-se no tempo uma angústia, um sofrimento atroz exacerbado pelo sentimento de impotência em ajudar o Duarte … e surge a revolta naqueles pais; de certa forma sentem que foram vítimas de uma falácia durante 5 anos – o tempo da toma do medicamento. – Bum!… A “bomba” estoirou: afinal o Duarte não padecia de PHDA. Todavia, parece surgir de novo a esperança, qual ténue luz ao fundo do túnel, ainda que a suspeita do novo diagnóstico, seja, conforme o declara a mãe, entre lágrimas e balbucio comovido “ALGO QUE NINGUÉM QUER”(!): “Duarte poderá ser AUTISTA, mas ainda vai fazer mais exames”.

– Será que existe mesmo esse “transtorno”, quando o próprio que o inventou – Leon Eisenberg – terá confessado a farsa da “doença” aos 87 anos de idade, numa última entrevista, 7 meses antes de perecer:

-” É um excelente exemplo de uma doença fictícia”! – Terão sido as suas palavras. Consta ainda que este último terá tido uma vida confortável, graças às vendas de medicamentos para tratar a “doença”.

– Pois é!… Ainda assim a suposta “doença”, está classificada dentro das “perturbações neurodesenvolvimentais”. Então já que assim é, seria de todo premente conhecer-se a incidência/prevalência da PHDA em Portugal, mediante um ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO, da responsabilidade do Ministério da Saúde.

– Meus senhores governantes deste país, está na hora de tomar medidas, sendo certo que IGNORAR É O PIOR QUE SE PODE FAZER! É necessário o controlo apertado da circulação de Metilfenidato e de Atomoxetina, no sentido de se combater a bandalhice do(s) seu(s) consumo(s)! Mais!… Existe alguma norma de orientação clínica (NOC) para a prescrição dos ditos medicamentos? Que eu tenha conhecimento, não! Não existe! E, a ser verdade, não está mais do que na hora de agirem em conformidade? Chega de facilitismos! Não coloquemos em risco o desenvolvimento harmonioso de milhares de crianças, adolescentes e jovens!

– QUEREMOS FUTUROS ADULTOS SAUDÁVEIS!!!

 

CÓMO SE SIENTE UN NIÑO TDAH

 

 

 

© Paula Pedro

 

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