Com a SAÚDE…NÃO SE BRINCA!!! (I)


Paula PedroOlá Caros leitores!

SAÚDE, é com efeito, a temática que decidi abordar-vos esta semana, numa das múltiplas formas de abordagem que virei a argumentar em futuros artigos, já que SAÚDE é, digamos que , “a minha praia”, que é como quem diz, está inequivocamente relacionada com a minha profissão: ENFERMAGEM, que “abraço” de alma e coração há praticamente 25 anos a esta parte…ainda que mais focalizada na área dos Cuidados Intensivos, em tempos idos (bons tempos, por sinal!) e, nos últimos 15 anos, na área de Bloco Operatório, que ao fim e ao cabo, é aquela que verdadeiramente me “preenche” de todo.

Mas, à parte este mini curriculum vitae, que pode ou não ter alguma relevância para vós (?), vamos lá então contextualizar o tema, e quiçá, levantar pertinentes questões e reflexões?

Comecemos então pela definição de Saúde, a mais difundida e que integra o preâmbulo da Constituição da Organização Mundial de Saúde, ainda que, alvo de inúmeras críticas:

“Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”.

Todavia, é sem dúvida uma lindíssima e filosófica frase…ou seja, em teoria define-se como um BEM, um DIREITO – o direito à protecção da Saúde, no artigo 64º. – que supostamente deveria ser assegurado “através de um Serviço Nacional de Saúde Universal e geral (…) tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito”.

Mas infelizmente, o “tendencialmente gratuito”, foi digamos que “excomungado” da Constituição, no dito artigo, e, substituído por um pretenso “adesivo”(?): “Não podendo, em caso algum, o acesso ser recusado por insuficiência de meios económicos”. E, desde então, como que se assiste a uma letárgica e progressiva degradação do SNS (Serviço Nacional de Saúde), e porque não referi-lo, à sua crescente “banalização”!…consequente, quiçá (?), das recorrentes e “delirantes” políticas restritivas, que a bem dizer, nos têm sido impostas por suas “excelências”, os tais que vão detendo e/ou detêm o Poder Político!…

Sim!…Porque enfim, enquanto houver liberdade de expressão e a tal “Lei da Rolha” aplicada aos profissionais de Saúde, não for compulsiva e objectivamente mais restritiva, que é como quem diz:

“Ponham desde já, um adesivo na boca, porque o que quer que expressem relativamente ao exercício profissional, daqui para a frente, será considerado violação do dever de sigilo profissional!”

Mas referia eu então que, enquanto não houver esta directiva…fascistóide(?) – e esperemos bem que não, “valha-nos Deus!” – é lícito, os profissionais de saúde e os cidadãos em geral deste país, que é o nosso país, demonstrarem de alguma forma, o seu descontentamento e a sua indignação perante as políticas vigentes…políticas do “custe o que custar!”, que empobrecem cada vez mais as famílias e comprometem a igualdade na acessibilidade a Cuidados de Saúde…já nem se diz, de excelência, porque pelos vistos, tal, parece ser um vislumbre num horizonte longínquo, mas pelo menos e tão somente, a Cuidados de Saúde essenciais, básicos, indispensáveis para a manutenção da própria Vida, e bem assim, que suprimam atempada e eficazmente as necessidades dos cidadãos em geral, em matéria de Saúde!…Não é verdade?

Bem, a menos que os caros leitores opinem de uma forma divergente (?), pelo que, convido-os desde já, a comentarem este artigo, fundamentando a vossa visão! Parece-vos bem?

De uma maneira geral, é consensual que todos nós zelamos pela nossa Saúde, pelo que é natural nutrirmos por ela um grande “respeitinho”! É, digamos que, o BEM mais precioso que se pode deter, e nessa lógica, é perfeitamente natural, seja em que contexto for, quando ouvimos falar de Saúde, ou da falta dela, ou de algo relacionado com as ditas, consciente ou inconscientemente, somos como que, induzidos a “debruçarmo-nos” sobre o assunto em questão, quer aquele esteja relacionado connosco ou com o Outro, seja ele quem for…em suma, não somos indiferentes de todo à Saúde, e principalmente, à falta dela!

Normalmente, aprimoramos por um estilo de Vida saudável, tentando satisfazer na medida do possível, as NHB (Necessidades Humanas Básicas) preconizadas na Pirâmide Hierárquica de Abraham Maslow, que já vos terei abordado no meu artigo anterior: “Pragmáticas sobre SEXO, SEXUALIDADE e…algo mais!!!”

Todavia, podem surgir desequilíbrios que nos vulnerabilizam de todo, quer a nível físico, quer a nível psicológico, ou outro, e bem assim, adoecemos!

Ora bem! E se adoecemos, há que recorrer às Instituições ou Serviços de Saúde públicos ou privados, no sentido de obtermos ajuda para colmatar a nossa situação de enfermidade, não é verdade?

Pois é!…Mas é precisamente neste ponto fulcral que começa a injusta parcialidade, na questão da acessibilidade aos Serviços de Saúde, o que supostamente nos leva a crer que existam “cidadãos de primeira” (?) e, “cidadãos de segunda”; pois repare-se:

Alguns têm a possibilidade de resolverem com relativo facilitismo a sua situação de enfermidade, com uma morosidade mínima (que concomitantemente, é no imediato!) e com um mínimo de transtorno ou chatice, recorrendo a Instituições privadas que tenham integrados SERVIÇOS DE URGÊNCIA e que procedem ao atendimento exclusivamente, em regime privado e/ou convencionado.

– E quem pode recorrer a essas ditas Instituições? – poderiam vocês (eventualmente) questionar?

Pois muito bem! Apenas e tão somente:

– Os utentes particulares; ou seja, os que detêm um nível económico-financeiro que o permite;

– Os utentes que detêm Contratos de Trabalho em Funções Públicas por tempo indeterminado (incrível! e esta, é a última designação atribuída ao Funcionário Público…), e cuja obrigação contributiva está fidelizada à ADSE (Direcção-Geral de Protecção Social aos Funcionários e Agentes da Administração Pública), que ao que parece, é como que, um “espécime” em extinção, pois a realidade é que há cada vez menos beneficiários desse Organismo;

– Aqueles que têm a possibilidade [sabe Deus, em que condições (?)] de contratualizar um Seguro de Saúde, com regime convencionado e autorizado nas tais Instituições de Saúde privadas.

“Sim senhor!…Então e os outros? Os tais que são pobres, ou porque não afirmar…os novos pobres, que não beneficiam nem de ADSE, nem tampouco têm posses para contratualizar um Seguro de Saúde?”

Pois é! Dá que pensar, não é?

Infelizmente meus caros, estes últimos não detêm outra alternativa, que não a de sujeitarem-se aos Serviços de Saúde Públicos, que é como quem diz, “ao caos!”…ou seja:

– Serviços de Urgência Centralizados, e a “abarrotar” de prioridades a nível de atendimento…com todas as implicações e contingências, daí inerentes!…

– Doentes inscritos no SIGIC (SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO DE INSCRITOS PARA CIRURGIA), em Lista de Espera “ad aeternum”…e concomitantemente, ao fim de uns bons meses, lá acabam por receber uma Nota Transferência/Vale Cirurgia, a fim de serem propostos para intervenção cirúrgica noutra Instituição, que não a de origem!

– Centros de Saúde, muitas vezes longínquos da área de residência, pois cada vez mais se assiste ao encerramento de postos de Saúde locais, principalmente nas periferias e zona interior do país!

– Consultas de especialidade hospitalares e marcação de exames clínicos, com uma morosidade incrível, muito superior aos limites da tolerância, atempada!

– Consultas nos Centros de Saúde, também extremamente morosas e com a contingência de existir, ou não, médico de família (?)…

Etc, etc, etc…

Meus caros, perante este “triste cenário”, do qual não se perspectivam melhorias, muito pelo contrário, atendendo às notícias que vamos perscrutando diariamente nos média, esta problemática muito provavelmente tenderá a deteriorar-se ainda mais, devido ao agravamento da conjuntura de crise política e socioeconómica do país, pelo que vamos mas é zelar pela nossa Saúde, apostando na implementação de medidas preventivas da doença, a nível dos CSP (Cuidados de Saúde Primários) e na manutenção de um estilo de Vida saudável, porque e a bem dizer:

“Hoje em dia, neste país, ficar-se doente…será muito provavelmente a morte do artista!”

Por conseguinte, se beneficiamos de Saúde, dêmos mas é graças a Deus!…Porque, sem Saúde…como  SER-SE FELIZ?

Beijinhos e até para a semana.

 

Paula Pedro

 

 

 

5 comentários a “Com a SAÚDE…NÃO SE BRINCA!!! (I)

    • Olá David Cabanas!

      Realmente essa dita linha é muito ténue, pelo que não admira as pessoas assustarem-se sobremaneira perante a iminência de uma situação de doença…pois, ao fim e ao cabo, com esta conjuntura de crise no SNS, entre outras, a realidade é que, as pessoas não sabem com o que é que podem contar…e, inevitavelmente, amedrontam-se perante as possíveis consequências.
      E, todos nós sabemos que infelizmente há doenças que não são passíveis de prevenção, como as auto-imunes, as oncológicas e hereditárias, entre outras.
      Todavia, existem aquelas – as designadas doenças civilizacionais – que se podem prevenir, mediante um estilo de Vida saudável, e boas práticas em matéria de saúde e bem-estar. E é precisamente aí que temos que apostar, para nos mantermos numa situação de homeostasia (equilíbrio).
      Porque…acredite! A bem dizer, hoje em dia neste país ficar-se doente…poderá “ser a morte do artista”!
      E a confirmar isto, basta analisar as Taxas de Mortalidades e de Morbilidade que têm vindo a aumentar exponencialmente.

      Beijinhos 🙂

      Paula Pedro

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  1. Olá, em relação a primeira parte do artigo acho que nos custa aceitar a mudança, ou seja que vamos envelhecendo e pensamos que somos sempre jovens e fazer o que fazíamos enquanto jovens e o corpo já não está para isso. Noitadas…no dia a seguir levantar é um sofrimento, copos…sempre o mesmo porque a cabeça pesa demais, trabalhar…era a qualquer hora….mas somos teimosos e vamos abusando e o corpo chega a uma altura que se ressente e lá surge e dita doença.
    Em relação a assistência a saúde, primeiro devia-se fazer a distinção clara entre o que é público e privado e cada um optava (profissionais incluidos), depois o público mantendo o SNS devia avaliar caso a caso, porque é diferente uma população de um meio urbano em que tem praticamente tudo a mão e um meio rural em que a população é na sua maioria envelhecida, com baixo poder económico, acessibilidades de bradar aos céus e que vai lutando para sobreviver, e isso não é tido em conta, o que conta é cortar, e vai-se fechando centros de saúde, vão-se fechando especialidades e isto cada vez mais no interior.
    Beijinhos.

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    • Olá Mário Rui!
      Muito obrigada pelo teu comentário, por sinal, muito bem fundamentado.
      Com efeito, normalmente começamos a ser mais atenciosos com o nosso ESTILO DE VIDA à medida que a idade avança, porque, é como o sugeres, ficamos mais vulneráveis à doença, perante os desequilíbrios…os tais abusos.
      Relativamente à acessibilidade aos Cuidados de Saúde, também concordo contigo, ou seja, cada vez mais se assiste a uma desigualdade atroz…todavia, não só por diferenças sociais, económicas e geográficas, que penalizam sobremaneira os mais desfavorecidos e os mais vulneráveis, mas também, como todos certamente o sabemos, pelas contingências geopolíticas vigentes relativamente a essa matéria, e pelas quais, inequivocamente, há que manifestar INDIGNAÇÃO!
      Beijinhos 🙂

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